Era julho de 1949 e 18 colegas mais amigos, em férias escolares, viemos para o Rio de Janeiro, então a capital federal.
Era minha primeira viagem ao Rio e comecei minhas visitas pelo edifício do então Ministério da Educação e Saúde, ícone da arquitetura moderna brasileira e pela Confeitaria Colombo, até hoje referência obrigatória na história boêmia e literária brasileira.
Em 1995, por haver ganho uma concorrência da Confederação Nacional do Comércio, publicamos o livro de luxo “História do Comércio no Brasil – Iluminando a Memória”, que foi distribuído como brinde da instituição nos festejos de seus primeiros 50 anos de existência.
Nesse livro eu dedico parte de um capítulo à Confeitaria Colombo que hoje republico aqui apenas com a atualização de alguns poucos dados.
Em 17 de setembro de 1894 – os sócios Manoel José Lebrão e Joaquim Borges de Meirelles inauguravam, na rua Gonçalves Dias, 34 e 36, a Confeitaria Colombo. Ambos portugueses, homenageavam, no nome, o descobridor do ‘’Novo Mundo”. Tudo indica que a ‘’saga” da Colombo foi resultado da visão empresarial de Lebrão, uma mistura de empreendedor, de empresário, de gerente e de relações públicas. Ainda que bem-sucedida desde o início, a Colombo não destronou, logo, a Confeitaria Pascoal como o grande nome do ramo. Entenda-se, no caso, confeitaria,como um negócio que funcionava conforme o horário, ou seja, padaria, bar, restaurante, confeitaria, sorveteria e casa de chá. É muito possível que um incidente, entre o gerente da Pascoal e o poeta Olavo Bilac, tenha dado início à gloriosa trajetória da Colombo. Ao afirmar que não pisava mais na Pascoal e instalando-se na Colombo, Bilac acabou influenciando toda a roda a que pertencia e que abrigava personalidades como José do Patrocínio, os irmãos Aluízio e Arthur Azevedo, Paula Ney, Martins Fontes, Guimarães Passos, Ferreira Viana e muitos outros. Entre os outros, o paranaense Emílio de Menezes, carioca por vocação, que afirmava ser a Colombo o seu escritório.
A Pascoal acabou falindo, a cidade ganhou a Avenida Central, apareceram os primeiros cinematógrafos, a Confeitaria Colombo cresceu e tornou-se absoluta no setor.
Em 1913, após uma reforma e execução do projeto do solicitado arquiteto Antonio Borsoi, a Colombo tornou-se, inclusive, um marco da arquitetura da belle époque . Os monumentais espelhos de cristal, num total de oito, com 3,40 x 4,00 metros cada, vindos da Bélgica, fazem parte de uma maravilhosa decoração onde móveis, mesas e cadeiras alternam o uso de jacarandá, ferro, opalina e mármore de Carrara.
Hoje, ao sentar-se na Colombo para um lanche trivial, uma pessoa mais sensível, além dos prazeres gustativos, pode até, se estiver enamorada, lembrar Bilac: ‘’ora, direis, ouvir estrelas? / certo perdeste o senso…”
A Colombo marcou de tal forma a vida dos literatos dos primeiros 30 anos do século XX, que o poeta e cronista Paulo Mendes Campos escreveu lamentar ‘’não ter apanhado a Colombo no tempo do Bilac e aqueles outros calhordas”.
Este texto foi originalmente publicado em 15/04/2013.

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