Colunas

Ecos

A Vitrine de minha última coluna, A Náusea, recebeu dois comentários que resolvi transformar no meu texto de hoje. O primeiro veio do meu …

A Vitrine de minha última coluna, A Náusea, recebeu dois comentários que resolvi transformar no meu texto de hoje. O primeiro veio do meu amigo de Olinda/Recife, Moisés Andrade e foi este: “Jovem Mario, boa noite. JCMNeto  oferece a sua aspirina para combater a …   náusea.”

Vamos aos fatos: o pernambucano João Cabral de Melo Neto, das mais altas vozes da poesia brasileira de todos os tempos, levou para o túmulo uma dor de cabeça cotidiana que era alimentada por aspirinas. Para a minha absoluta descrença em nosso país, Moisés ofereceu-me uma aspirina poética e metafórica:

Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito de um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

De Bebedouro, São Paulo, chegou de minha querida amiga Monica um e-mail que faz eco com a minha absoluta desesperança de cidadão:

“Querido Mario.

Tal como você, estou oca por dentro. 

Já não tenho esperanças de ver esse país (do futuro??) tornar-se um país sério.

Muitas gerações serão afetadas pela irresponsabilidade do PT, desse governo, desse Congresso, dessa falta total de brio, responsabilidade, honestidade, compromisso e vergonha, para dizer o mínimo.

Será que a geração dos meus filhos, ou a dos meus netos, terá um dia orgulho de ser brasileira?

O que diria nosso Carlitinho (Carlito Maia) vendo o PT de hoje? Um partido no qual ele acreditava, do qual ele tinha orgulho?

E Magaldão (João Carlos Magaldi, pai dela), que sempre teve orgulho de ser brasileiro?

Vou tocando a minha vida, amando meus filhos, meus netos, meu marido e desejando que daqui a muitos anos a realidade já seja bem diferente.

Como diz você, inté!

Um beijo,

Monica (Magaldi Suguihura)”

 

Inté.

Autor

Mario de Almeida

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.