O Brasil não anda numa fase boa, a inflação vem gerando alta de juros, a evasão de divisas é grande e a Copa, bem (mal)… a Copa que deveria ser uma festa é uma dor de cabeça diária.
O Rio anda navegando em calor diário de 40º e, quando chove, navega nas muitas enchentes e em regiões sem luz. As praias andam enfeitadas com mar de espumas e o trânsito, engessado, é um hino ao imobilismo. A cidade maravilhosa nunca esteve tão maravilhosa para quem não está nela.
Enquanto isso, sob o frio de Zurique, na sede da Fifa, nossa presidente Dilma é a arauta da felicidade, tudo vai bem e nada vai atrasar o sucesso da “Copa das Copas”. Joseph Blatter, presidente da entidade, resolveu assumir o discurso da cordialidade e propôs três ações já aceitas por Dilma para marcar o Mundial no Brasil: a valorização da luta contra o racismo e a discriminação; a defesa pela paz pelo mundo e pelos direitos; e a igualdade das mulheres.
Enquanto vem de Zurique o anúncio de um céu de brigadeiro, aqui no Brasil, Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, trombeteia trovoadas e tempestades previstas para Curitiba. Dramatizando: dia 18 de fevereiro é a data na qual ficaremos sabendo se o Paraná vai sediar ou não os quatro jogos previstos para a Arena da Baixada, que não está pronta e – pela falta de gestão – não se sabe se ficará. Além de gestão, a atitude dos responsáveis por ela – ou melhor, pela falta de atitude – a impressão é que o Paraná resolveu, por incompetência, ser expulso da Copa 2014. Para Jérôme Valcke, a saída de Curitiba da competição gera o grande problema de locar os quatro jogos em outras praças, o problema dos ingressos vendidos, das seleções com novos problemas logísticos, etc. etc. etc.
Última Hora: O presidente do Atlético Paraná, Mário Celso Petraglia, resolveu abrir a boca: exige que a prefeitura de Curitiba e o governo do Estado dividam com o Clube R$ 54 milhões que faltam, segundo ele, para a conclusão das obras. O acordo, assinado em 2010, tinha um custo de R$ 135 milhões, hoje são R$ 319 milhões… Que inflação, heim?
Já que se falou em gestão, concessionárias de 402 obras rodoviárias federais – quase seis anos após o início dos contratos – que deveriam estar prontas, não estão, assim como algumas obras ainda inacabadas de algumas arenas da “Copa das Copas”.
No Rio, o teleférico do Morro da Providência está pronto há oito meses e, por falta de providências burocráticas, está mais parado que atleta entrevado. São 16 gôndolas à espera de providência. Aliás, o Rio está tão desprovido da proteção divina que, na última tempestade, mão e cabeça do Cristo do Corcovado foram feridas e estão em obras.
E, por falar em obras, como vai a transposição do Rio São Francisco?
Inté.
Confissão: Estou tão velho que minha certidão de nascimento está numa ortografia mais velha ainda.
Vitrine (Comentários sobre coluna anterior)
Viva Mario! Investigar os critérios de escolha dos casais de animais que salvaram suas espécies pelo simples embarque para um passeio na Arca de Noé é uma tarefa que desafia os mais imaginosos escritores e poetas de todos os tempos. Ninguém ficou sabendo o tamanho desta arca, nem o roteiro de navegação que cumpriria. Em princípio, flutuaria à deriva até passar a enchente, apelidada de dilúvio. Milhares de anos depois, embora sem merecer registro em livro bíblico, o Barão de Drummond passou por teste semelhante: escolher os 25 bichos que serviriam para levantar recursos em jogos diários, alimentar e cuidar do Jardim Zoológico de Vila Isabel. Segundo Murilo Mendes, o homem é o único animal que joga no bicho. Abração, Léo Christiano, Rio

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