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Baiano de Salvador, Eduardo Mattos Portella surgiu, há muitas décadas, no universo cultural brasileiro como crítico literário, conquistando, de imediato, uma posição de destaq

Baiano de Salvador, Eduardo Mattos Portella surgiu, há muitas décadas, no universo cultural brasileiro como crítico literário, conquistando, de imediato, uma posição de destaque junto à inteligência brasileira.  

Eduardo Portella, como é conhecido, tem um currículo de serviços prestados ao Brasil e ao mundo onde se somam funções e obras: é professor titular emérito da UFRJ, crítico, escritor, conferencista, pesquisador, pensador, advogado e político, ocupante da cadeira 27 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Joaquim Nabuco.

Ex-secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro entre 1987 e 1988; coordenou a pasta de Educação, Cultura e Comunicação da Comissão de Estudos para a Constituição de 1988, ligada à presidência da República e ocupou a vice-presidência e a presidência da Conferência Mundial da UNESCO de 1997 a 1999. Hoje é o diretor do Fundo Internacional para a Promoção da Cultura (IFPC, na sigla em inglês).

Feita a sintética apresentação de Eduardo Portella, autor de mais de 20 obras e ex-ministro da Educação, estou colocando Portella nesta coluna pois, entre dezenas de textos que li sobre as últimas manifestações populares, um artigo dele em O Globo – “Já estamos no lucro” – faz afirmações tão pertinentes que eu decidi  colocar algumas neste espaço:

“Conseguimos retirar das pautas preguiçosas do Congresso Nacional decisões relevantes, reclamadas pela voz das ruas.

Logo, é justo falar de um saldo positivo. Ao contrário das nossas finanças públicas.

Alguns, mais impacientes ou mal acostumados, buscam nervosamente, em meio à multidão anônima, o rosto identificador. Mas sem sucesso. Porque o líder individualizado, conhecido como carismático, foi destituído pela vontade geral. Sem choro, nem vela. E já não era sem tempo. Resta apenas, como lembrança inútil, a fotografia desbotada do herói anacrônico. Houve um deslocamento dos núcleos hegemônicos, das lideranças concentracionárias, e poucos perceberam.

Foi exposto à visitação pública o despreparo dos nossos quadros dirigentes. E quem prepara esses profissionais são as múltiplas instâncias pedagógicas. Inclusive a miséria não se elimina por decreto. A inclusão social, o combate à pobreza passam necessariamente pela educação. A educação integradora, a que prospera socialmente distante da pedagogia bancária, e perto da desmassificação das massas. Os professores e médicos devem ser reconhecidos como carreiras de Estado. Os professores reivindicam estabelecimentos de ensino equipados. Os melhores médicos do mundo jamais farão milagres sem infraestrutura operacional adequada.”

A conclusão de Portella não é menos brilhante:

“As redes sociais abriram as caixas-pretas das representações partidárias. Reduziram o fosso que separa a sociedade da informação da sociedade do conhecimento. Podemos concluir que já estamos no lucro”.

Inté.

Vitrine (Comentários sobre a coluna anterior)

Caro Mario, excelente seu comentário sobre a COPA 2014. Sabemos que a culpa não é somente da bandidagem da FIFA, é do Brasil. E conviria dar nome aos bois ou da boiada, começando com o LuLLa, Cabral (Cavendish/Delta – os do guardanapo de Paris), Teixeira e outros menos cotados. Todos eles, de agora em diante, responsáveis pelos elefantes brancos que se não forem demolidos, a exemplo do que aconteceu com as obas do PAN ficarão, como um memorial à corrupção, a nos assombrar. Abraços, Luiz Carlos G. Pannunzio (ex-Caetano), São Paulo

Autor

Mario de Almeida

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