Sinto que a mídia desportiva transferiu uma carga de ódio para a Dona Fifa tão grande que daqui a pouco algum aloprado vai afirmar que a novela da transposição do Rio São Francisco emperrou por causa da instituição master do futebol internacional.
Dona Fifa não tem nada a ver com a corrupção, com a violência, com o atraso na Saúde e na Educação, com os excessivos 39 ministérios, com a imobilidade urbana, com um PIB ridículo, etc., etc., etc. Muito menos com um país sem gestão.
Mister FIFA, Joseph Sepp Blatter, não se cansa de afirmar – com razão – que nunca pediram ao Brasil para que fosse sede da Copa do Mundo de Futebol 2014.
Em 1984, a Colômbia, já tendo conquistado o direito de realizar a Copa de 1986, desistiu e o México acabou realizando o torneio internacional. Nessa ocasião, o Brasil interessou-se em bancar os jogos, mas o presidente Figueiredo, o ditador de plantão, vetou a ideia. No entanto, patrocinar novamente a Copa, depois de 1950, tornou-se obsessão, e a de 2014, especificamente, foi alvo de jornalistas contrários ao evento no Brasil.
A consequência, todos sabemos: a construção de estádios milionários com capacidade muitas vezes superior ao potencial de público. Em Brasília, por exemplo, joga-se muito mais no bicho que futebol. Bilhões, financiados pelo BNDES, são de retorno duvidoso.
O que houve na Copa das Confederações e haverá na Copa 2014 é o cumprimento de um contrato celebrado entre a FIFA, o governo do Brasil e o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Se cabe criticar a assinatura do Brasil nesse contrato, cabe criticar quem comprou esse pacote como benéfico ao país.
Assim como cabe à FIFA cobrar a execução dos compromissos brasileiros, cabe ao Brasil cobrar da FIFA os seus compromissos.
No caso, pela bagunça na venda dos ingressos para os jogos da Copa das Confederações, responsabilidade da FIFA, cabe um pontapé na bunda do secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke.
Se não há trapaça entre FIFA e Brasil, o resto é choro de mau perdedor.
Inté.
Vitrine (Comentários sobre a coluna anterior)
Li tua coluna depois de ver teu e-mail. Daquelas de apresentar em seminários de literatura. Diz tudo o que precisamos dizer. Esse Anteu parece ter inspirado o homem em pé, da praça da Turquia. Achei o gesto daquele homem um símbolo perfeito. bj, V. (Vera Verissimo), Porto Alegre
Querido Mario, vale lembrar que Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) viveu apenas 24 anos e realizou uma obra poética de rara qualidade, de intenso humanismo e de ativa participação nas lutas sociais e políticas de seu tempo – um tempo de escravidão e colonialismo implacáveis. Daí que tenho especial apreço pelos seguintes versos de A Praça, poema que há mais de 170 anos emociona as pessoas de espírito público e sensíveis às injustiças hediondas:
” O direito
Não é pasto de punhal
Nem a patas de cavalo
Se faz um crime legal…” Abração, Monserrat (José Filho), Rio/Brasília
Viva Mario! Jamais pensei em voltar à fama. Depois desta, vi que são truques do destino. Orgulhoso de ser seu Amigo, mando aquele forte abraço depois de aplaudir de pé o maior poeta do Brasil. (Sem esquecer de aplicar mil beijos em suas belas meninas.) Léo Christiano, Rio
Inté


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