O Ministro Joaquim Barbosa, na qualidade de relator do famoso processo do “mensalão”, tornou-se – justamente – o herói da vez de grande massa pensante do país.
No seu saber jurídico e na sua inquebrantável vontade de penalizar os responsáveis pelo maior escândalo político-financeiro da história do país, o ministro relator deu voz à vontade popular de levar à condenação quem cometeu os crimes lesa-pátria.
Vencedor, tornou-se herói.
Levado, por cronologia, à presidência do Supremo Tribunal Federal, vem se expondo à opinião pública por um temperamento avesso ao cargo que exerce e, pior, se manifestando, gratuitamente, contra o poder legislativo, um dos poderes republicanos.
Ao agredir o Legislativo e minimizar o papel dos partidos políticos, Joaquim Barbosa voltou contra si, sem distinção, a classe política e, por extensão, colocou o STF como alvo de manifestações indesejáveis.
Por conta dessa leviandade, já se tornou alvo dessas respostas. Se quiser declarar uma guerra contra o Legislativo, convém olhar para o umbigo e lembrar-se que a Justiça brasileira, há muitos anos, está emperrada no tempo.
Não importa, no caso, se a opinião procede ou não, o que importa é que cabe a ele, pela função, tentar harmonizar a relação entre os poderes. O presidente do STF não pode sair por aí como um Zé Mané qualquer, plantando opiniões ácidas, como se somente suas ideias fossem corretas.
Na sua agressão verbal ao Legislativo e aos partidos políticos, totalmente fora do tema da palestra, o Ministro parece gostar de aparecer na mídia, numa evidente necessidade de foco.
O temperamento pouco tranquilo do Ministro já chamou a atenção em casos anteriores, quando mandou um repórter do Estadão chafurdar no lixo; quando deu uma de babá do sono dos advogados, afirmando que eles acordam tarde e semana passada respondendo de forma agressiva a uma pergunta de outro repórter do Estadão.
Em episódio anterior, acabou recebendo reparos de membros das Associações de Classe da Magistratura através de nota oficial: “O modo como tratou as Associações de Classe da Magistratura não encontra precedente na história do Supremo Tribunal Federal, instituição que merece o respeito da Magistratura”.
Resta-me a impressão que Joaquim Barbosa está o homem errado no lugar errado e que isso vai se agravar.
Inté.
Vitrine (Comentários sobre a coluna anterior)
Rodrigo Sá Menezes, São Paulo, colocou a coluna no seu twitter.
M: A partir de um cliente fiz um amigo. Um gaúcho. Então Secretário de Ciência e Tecnologia da Prefeitura do Recife, agora na mesma área no Estado. Escandalosamente jovem, ele e a sua esposa não sabiam nada sobre o Teatro de Equipe. Contei o que sabia em uma noite, ouvindo velhos chorões num botequim local, o Retalhos. Ele ficou muito interessado. Não quero simplesmente fazê-lo procurar na Enciclopédia Google. O seu livro parece que está esgotado. Aqui nunca esteve e pedi para procurá-lo no Rio e não foi encontrado. Mande uma dica sobre como adquiri-lo ou sobre outros materiais disponíveis. Um abraço e espero que nos encontremos aqui, ouvindo choro e eu contando tudo o que sei sobre Ascenso, com quem convivi e sobre Julião a quem frequentava. Uma de suas filhas foi a minha primeira namorada. David Hulak, Olinda/Recife.
Acabo de ler o ‘Coletiva’ que me chegou hoje. Aquele que cita Julião e Ascenso, um das Ligas Camponesas e distribuição de terras – provavelmente o ‘Rainha’ da época, e o outro, o da prosa de só comer, dormir, vadiar; que só ‘è vera’ quando o sujeito ‘viaja’. Na volta, a realidade é outra, ou melhor, é a mesma e chata pra cacete… Há que se levantar cedo, ouvir o chefe, trabalhar, ganhar o pão, senão, não funciona… Em paralelo, me veio à cabeça, o bafafá das filas nas agências da CAIXA, por conta da lorota sobre o fim da BOLSA FAMÍLIA. O programa funcionou mesmo. Só vi gente de biotipo forte, corada, gorda e disposta à porrada na defesa do seu direito de inércia. Na imagem, não havia ‘fraco do pulmão’. Uma senhora entrevistada disse que veio correndo conferir ‘com seus cartões’… Não percebi ninguém disposto a segurar um caniço e jogar a linha. Só defender o peixe. Roberto Castro, Rio.
Indispensável Mario: A evocação recorrente do Teatro de Equipe, em PA , faz-me lembrar que lá estive, para visitá-lo, nos idos de 63, se não me engano. O trabalho maravilhoso que o grupo, dirigido por você, produzia, no plano da ruptura dos tabus, de um lado, e de engajamento político, de outro, muito me marcaram nos anos terríveis que se seguiram. Um grande abraço, de muita querência. Modesto Carvalhosa, São Paulo.
Adoraria ter conhecido o Ascenso!!! Beijos cheios de saudades… Tudo passa… Claudia Almeida, Rio.

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