Natal é aquela data que, em não sendo móvel, como o domingo de Páscoa, por exemplo, que cai num domingo, em qualquer dia do mês. O Natal cai em qualquer dia da semana, desde que seja o dia 25 de dezembro. O mesmo acontece com o dia 1º de janeiro, uma semana depois do Natal.
Como data cristã, o Natal, quando se comemora o nascimento de Cristo, é festejado desde o século III.
Certa vez escreveu Luis Fernando Verissimo, com absoluta razão, que o período que vai do Natal ao Ano Novo é dedicado à troca de presentes, um senhor trabalho extra para diversos ramos do comércio, principalmente para os de brinquedos, roupas, livros e perfumaria.
De minha parte, a lembrança mais antiga dos natais quando Papai Noel “ainda” existia, era a da grande expectativa em torno do que o bom Noel teria deixado aos pés da cama.
Como tenho um irmão quase cinco anos mais moço, o ritual com o Noel teve que durar mais, com minhas irmãs e eu participando da encenação. Isso nos deixava menos distantes da idade adulta, a idade de ludíbrios maiores.
Dos natais adultos, uma grande amiga, em Porto Alegre, sabendo da minha gula por sua torta de nozes, fez uma e me doou, para levar como presente de Natal. Gestos como aquele são um dos ícones dos quais a gente carrega para a eternidade.
Da minha família de raiz, dois hábitos natalinos foram transferidos para minha família de hoje, da qual sou o patriarca: peru assado e ponche à base de champanha e vinho branco, com uvas, abacaxi e maçã. Não conheço bebida melhor para o verão.
Houve um ano em que dei de presente um peru que aguardava sua vez de ir ao forno no congelador, pois o Manolo, do Antonio’s, mandou entregar em casa um peru pronto para aquecer e colocar na mesa. Manolo, há anos, vive em sua cidade natal, Santa Comba, um pequeno município, na Galícia, quase ao lado de Santiago de Compostela.
De qualquer forma, um desses festejos de fim de ano, o qual está impregnado na minha memória, é o do último dia útil antes do 31 de dezembro, ritual do qual participei muitas vezes. A gente esvaziava das gavetas da mesa de trabalho os papéis e documentos com prazos de validade prescritos e picava-os todos. Lá pelo meio-dia eram lançados pelas janelas dos edifícios. A Avenida Presidente Vargas e Rio Branco, por exemplo, tornavam-se um palco metafórico de despedidas de um ano de trabalho, como um congraçamento aéreo entre colegas anônimos. Bonito de se ver, de se sentir e gostoso como um suspiro de alívio.
Como minha coluna é divulgada em Coletiva.net às segundas-feiras, creio que esta é a última deste ano e que, por caprichos do calendário, só volto ao espaço em 7 de janeiro. Férias compulsórias que, acho eu, merecidas.
Mandam a obrigação e o prazer que eu deixe aqui meus votos de boas festas. Quero-as alegres e felizes para todo este leitorado que me acompanha através dos anos.
Sendo esse período de festas um tempo fugaz, desejo que o ano de 2013, e seu Natal implícito, seja um ano de sucessos e de realização dos sonhos sonhados acordado.
Para evitar o lugar-comum e a pieguice, concluímos: estamos distantes, mas juntos.
Inté.
Vitrine (comentários sobre a coluna anterior)
Prezado Mário, a sua facilidade para desfilar essas suas lembranças, que nada diferem das que moram dentro daqueles que puderam vivenciar um tempo menos apressado, naturalmente se deliciam com a sua sensibilidade explícita, narrando casos pitorescos que nos envolvem com saudades. Quem não soltou pipas…? Quem não usou os carrinhos de rolimã…? E a primeira namorada…? E por onde andam alguns personagens…? E por aí vai…!!!
Olá, Mario. Gostei. Um abraço à tribo. Hoje em dia, soltar balão é proibido, mas, sonhar não. Coelho, São Paulo
Mario, tenho lido sua coluna, aliás, uma leitura proveitosa. Aleleuia, Gilberto Ramos, Rio
(Meu querido amigo Roberto Castro excedeu em memórias o meu espaço aqui. Infelizmente, segue cortado, mas não censurado).
Pipas, papagaios, cafifas, arraias (pipas sem rabiola), gaivotas (pequenas
feitas com folha de caderno), linha 4, linha 10 (mais usada) – ‘dos grandes’ e dos ‘pequenos’, cordonet, cerol (Ah!.. o cerol), moer vidro na linha do bonde ou com paralelepípedo, gillette amarrada na linha, rabada (linha com cerol no final da rabiola), ‘cortar na mão’, cortar e aparar, lata (geralmente de óleo, para onde se enrolava a linha), cruzar marimba, tirar pipa do fio elétrico, correr atrás de pipa ‘voada’, segurar a linha de quem ‘voou’ e finalmente, o melhor: pegar a pipa com rabiola enroscada e amarrar um ‘chumaço’ de capim para otário continuar puxando a linha
cheio de esperança… Rsrs… São tantas as boas lembranças… Tudo que me remete ao velho Casemiro: Oh! que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais…
Abração. Roberto de Jesus Castro, Rio (desta vez com o apoio do irmão Paulo, emérito soltador de pipas e lateral esquerdo sempre titular).
Seu texto, Mario, inda que memórias pessoais, cutuca as memórias da gente e, queiramos ou não, nos levam numa viagem de volta, cada um nos seus próprios voos. Agradeço o itinerário ao qual você me levou. Antonio Jesuíno, Brasília
Mario, essa da primeira barba combinada com uma ereção leva-me à pergunta que não quer calar: ninguém sugeriu que você deveria cortar?
Estou falando da barba, antes que alguém faça uma trágica confusão…
Abraços, José Carlos Pellegrino, São Paulo

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