Eu tive um patinete feito à mão, na minha frente, por Xande, um mecânico de avião, amigo da casa. Nunca mais tive notícias do Alexandre. Voou para onde? Foi consertar asas de anjo?
Houve um agregado, em casa, de nome Dito, quando eu era bem “de menor”. Que fim levou Benedito, São Benedito? Bem/dito foi servir o Exército e nunca mais apareceu. Jamais vi Dito de farda.
Preenchi um álbum de figurinhas das balas Futebol e escolhi uma bola nº 5. Nunca mais fiquei de fora das peladas das redondezas. Eu e a bola.
Pouco depois, a glória! Ganhei um par de chuteiras para os jogos juvenis da várzea. Meu time era o Brasil F.C. uns 14 anos antes do Brasil de verdade ser campeão do mundo.
Fiz e tive muitos papagaios (pipas) e um tão grande, com papel de embrulho, que subia empinado por barbante especial, chamado codornet.
Pipas, assim como balões, foram meus primeiros veículos dos sonhos sonhados acordado.
Alguns balões, a gente percebia quando a mecha “pegava no breu” e ele sumia no intrínseco do infinito.
Os sonhos levianos cansavam-se do tempo perdido e explodiam como bolas de sabão.
Eu era muito pequeno e ainda não sabia nada sobre os muitos diversos tempos dos sonhos e das metáforas.
Lembro-me que um dia meu coração bateu mais apertado, mas eu não me lembro do nome do motivo. Na segunda vez, usava tranças e se chamava Marina.
Quando fiz a barba pela primeira vez, tive uma ereção. Achei que já era um homem.
Nunca sonhei com bicicleta e nunca tive bicicleta. Caí algumas vezes na casa do amigo Odécio Vicente de Faria, na Aclimação, até que aprendi a andar. Cair e levantar foi lição de vida.
Houve sonhos tão sonhados, tão esticados, que a gente inda se lembra de alguns e sorri com indulgência para com a gente mesmo.
Acho que a gente não tem saudade de verdade do passado. Se eu tivesse saudade escreveria como fez o Álvaro Moreira: As amargas não.
Chega-se a uma idade que não cabe mais sonho dentro da gente. Mas enquanto parece que tudo já se foi, fica uma vaga e difusa esperança.
Inté.
Vitrine (Comentários dos leitores sobre crônica anterior)
Esta vitrine extraviada e resgatada referia-se à coluna sobre os maias
Mario,
É gostoso ler tuas escritas/escrituras. Fazes uma varredura sobre temas interessantes. Continua. Certa vez me falaste que ainda te dedicarias a escrever algo sobre Calvino – nada falaste sobre Lutero. Mario, os Maias tinham razão sobre o fim do mundo. Sua civilização não mais existe. Se deve isto a duas coisas infinitas e permanentes: a vastidão do universo e a infinita estupidez humana. Se alguma dúvida existir é sobre a vastidão do universo. Abraço, Eloí Flôres, Porto Alegre
Se o mundo não acabar, é tudo isso que dizes. Adorável e sábio. Mas mais adorável é o fecho da coluna. Conhecendo teus pendores para a música… vibrei. Bj, Vera Verissimo, Porto Alegre
Jovem Mario, Alegria. Com os Maias vamos todos morrer sadios. Moisés Andrade, Olinda/Recife
Ao pé da Coluna
Alegrinho – Tu andas a escrever bem mais alegrinho que há mês. Muiiiiito bom. Roberto de Jesus Castro, Novo Leblon, Rio
Se o mundo acabar… – Mario, assisto à Casablanca umas três vezes e te encho o saco pra você me mandar depressinha, antes que o mundo acabe, o texto com o poema “O Trem de Volta”. Cê tá me devendo há mais ou menos um milhão e meio de anos. Luiz Fernando Di Vernieri – Campinas
L. Fernando: escrevi Trem de Volta lá pelos 17 anos. Apesar de ter repetido os versos umas duzentas vezes, não os lembro hoje. Quanto à cópia, eu tenho uma peça que ficou quase um ano em cartaz, ou melhor, tinha, pois o vento deve ter levado-a junto com o Trem de Volta. Assista à Casablanca mais uma vez. Abração. Mario
Vitrine na vez certa (Comentários dos leitores sobre coluna da semana passada)
Pena que v. se desligou da Paulicéia para dar com os costados na Cariocolândia, tornando-se ainda um fanático flamenguista. Pô, é demais!!!
Em sua última crônica você fala do mensalão, do Cachoeira e por ultimo do Felipão. Meu caro, a meu ver o MENSALÃO não se esgota ou não deve se esgotar, a partir das condenações do grupo de malfeitores. Está faltando alguém nessa história, precisamente aquele que não sabia de nada e que acabou deixando a “cumpanherada” lambuzando-se na merda que deixaram ao longo do caminho. Falta também que a quadrilha comece a ver o sol ou a lua – como será a pena de alguns deles – nascerem quadrados. Quanto a Cachoeira, ilustre contraventor de Goiás, não fez ele nada diferente do que fizeram e ainda fazem o Aniz e os grupos herdeiros do Drummond, do Castor, etc. em relação ao Rio de Janeiro do “seu” Cabral muito apoiado $$ pelo descendente do Pirata Cavendish, o qual teria deixado um tesouro escondido em ilha do nosso litoral e que foi descoberto pelo citado ilustre governador. Sem comentários quanto ao Felipão. Coisas de Gaúchos!!!
Luiz Carlos Giotto Pannunzio, São Paulo
Mario, humor e inteligência combinam. Coluna ótima: na mosca. Agora é dar risada, porque onde vai dar tudo isso não sabemos.
Eloí Flôres, Porto Alegre

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