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Vida e morte ou vice-versa

Já escrevi aqui: “Campinas, 1935. Passo na sala de jantar onde está o pai de minha mãe lendo jornal numa cadeira de balanço, o …

Já escrevi aqui:

“Campinas, 1935. Passo na sala de jantar onde está o pai de minha mãe lendo jornal numa cadeira de balanço, o jornal cai-lhe das mãos, a cabeça também cai e os óculos vão para o chão. Eu não tinha cinco anos e num aprendizado precoce acabara de ser apresentado à morte”.

Hoje, com a foto do “vô Coelho” nas mãos, fiquei pensando na morte. Não na minha morte, mas na morte em si, nessa que, por paradoxo, é imortal.

Fiquei pensando que se a morte não tem sentido, também por paradoxo, convida a gente a dar uma olhada na outra face da moeda e dar sentido à vida, ao ato de existir e, assim, justificar uma megavitória biológica sobre milhões de outros espermatozoides.

Como não sou mórbido, pouco sei sobre a morte no seu significado filosófico.

A única afirmação que ninguém contesta é que ela, a morte, é compulsória. Mesmo que se defenda a hipótese do defunto vir a ter outra vida, esse “outra” já caracteriza que a vida que morreu acabou mesmo e fim de papo, mesmo para um chato grilo-falante.

O mistério no fato da morte ser compulsória é que ela não vem datada, indivíduo por indivíduo e nem pelo menos sua causa. A morte é compulsória e imprevisível.

A data da morte é tão misteriosa e indecifrável que só os psicóticos curiosos “pagam para ver”, ou melhor, determinam a causa e a hora de sua própria morte: os suicidas.

Suicida raro é o orgulhoso que, em vida, foi sempre um donatário do poder e não permite que, na última fração de tempo de sua vida, a famosa ceifadora lhe usurpe o poder e ainda cante que “um valor mais alto se alevanta”.   O orgulho dita a solução: “Sou o dono da vida e na minha morte mando eu”.

Os suicidas, de modo geral, não querem morrer, eles não querem é viver. Acho, por exemplo, que Hemingway, aos 62 anos, não se suicidou, assassinou um futuro de idoso, incompatível com sua vida até então. Que repouse em paz.

A vida, por sua vez, é aquilo que as circunstâncias e a gente mesmo permitem que ela seja o que é. Exemplo: o jogo político elege prefeitos e governadores. Muitos, por falta de caráter, ou melhor, pela determinação de um caráter criminoso, se apossam de bens públicos e, muitas vezes, ainda são eleitos senadores, por uma maioria de interesseiros em participar do botim ou irresponsáveis sem preocupações éticas.

Felizmente, a dialética se encarrega de suprir a humanidade com um bom estoque de gente decente. Infelizmente, esse negócio de “aqui se faz, aqui se paga” é uma balela, pois não são poucos os que dão provas do “aqui se faz, aqui se recebe”.

Da morte não entendo nada e não acredito que vá entender, mas, acho que,

Enfim, a vida é luta

Para se comer com prazer

um prato que não apetece.

Felizmente, não sou anoréxico.

Inté.

 

Vitrine (comentários sobre a coluna anterior)

Pô, transformaste o “faça sua hora”  num faça atual, usando as canções populares como sempre soubeste usar, e direto no alvo. É do que precisamos. Com esse pedacinho de felicidade que avistas em cada hora, e que seja, socraticamente falando, a satisfação de nossos objetivos. Neste momento só posso oferecer a imaginação do belo céu do Rio Grande, de um azul de criança, um poente de carruagens de fogo e algumas nuvens cor de rosa para quem queria umas pinceladas românticas. Por que não? Bj. Vera Verissimo, psicóloga, poeta, tradutora e fiscal efetiva da coluna, Porto Alegre.

Gostei muito. A propósito, eu vou.

Um beijo para a Áurea e você. Muita alegria.

Eunice e Roberto Filippelli, publicitários, Araras, RJ.

Adorei relembrar os versos de Vandré, será o meu lema para 2012!!!!!! Beijos, amigo querido. Claudia Almeida, Rio.

Meu querido cunhado/irmão, bênção é como eu chamo o fato de tê-lo como meu cunhado. Toda semana me embebedo com sua coluna e com os comentários de seus amigos. Meu amor por você é ENORME! Lúcia Aguiar, funcionária pública, Fortaleza, CE.

Mario, parabéns por mais esta agradável e inteligente coluna. Coincidência, você começou com a música do Vandré e eu a tenho usado por mais de ano como sendo o hino do corretor de imóveis moderno, pois acabou o tempo que o corretor ficava no stand de vendas esperando os clientes. Hoje ele tem que partir para a oferta, “esperar não é saber”. Gostei de todas as músicas, mas vou terminar minha apreciação recomendando a você uma que está mais perto de tua casa, mas tua mulher não vai gostar.

É hoje que eu vou me acabar

Com chuva ou sem chuva eu vou pra lá

Eu vou, eu vou pra Jacarepaguá

Mulher é mato e eu preciso me arrumar

e parafraseando um grande jornalista: “Inté.” Eduardo Coelho, empresário imobiliário, São Paulo.

Comentário no pé da coluna

Prezado Sócio-Fundador do Novo Leblon, envio-lhe os meus votos de FELIZ 2012 esperando continuar contando com a inteligência de seus comentários para me ilustrar. Carlos Alberto Almeida Pereira da Silva, oficial da Marinha, Rio

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Autor

Mario de Almeida

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