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“Aos 78 anos morre Cyro del Nero, deixando grande legado cultural. Professor Titular de Cenografia e Indumentária Teatral da Pós-Graduação da Escola de Comunicações &#82

“Aos 78 anos morre Cyro del Nero, deixando grande legado cultural.

Professor Titular de Cenografia e Indumentária Teatral da Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, USP, em seu estúdio, Cyro del Nero, com seu extenso e valioso acervo, apresentava aos alunos o mundo das artes, da moda, da cenografia, do teatro, da televisão e, também da história e cultura da Grécia.

Hoje sua voz se calou, mas sua extensa obra, seus livros e a mensagem de culto à beleza e à arte em suas várias manifestações, inclusive à magia da cultura helênica, permanecerá entre nós, como um patrimônio dos brasileiros” (Publicado por Denise Pitta na Internet).

Desde 1986, Cyro apresentava diariamente, na Rádio Cultura FM de São Paulo, o programa A Celebração do dia, com nunca mais de dois minutos de duração e com texto alusivo àquela  data que valia ser lembrada.

Em 31 de julho de 2010, despediu-se de São Paulo onde nasceu, e de uma vida que é um imenso legado de cultura e de humanismo.

Quanto a mim, amigo desde 1950, perdi um irmão no sentido mais literal do afeto e da fraternidade. De acordo com ele mesmo, eu era seu alter ego.

Cyro nos deixou os textos de seu programa na Cultura FM válidos para toda eternidade, como este que se segue:

“É uma aventura entrar em uma oficina de carpintaria. Ver aquele profissional que maneja ferramentas, cortar a madeira, serra, calandra, fura, aplaina, cola e prensa pedaços de madeira. E o perfume da madeira seca cortada? Os recortes de madeira deixados de lado são cobiçados por meninos e o carpinteiro deixa que brinquem com eles, quando cada pequeno pedaço de madeira torna-se para os meninos um sonho: um deles é um barco, outro um carro, um trem, um avião.

E eles acham novas figuras em pedaços de madeiras tão abstratos para nós, tão significativos para eles. Madeira é dos mais antigos recursos da História. Ela deu ao ser humano calor, comida e abrigo.

É fácil apreciar na madeira a sua beleza natural, seu toque doce e sua utilidade. Mas ainda mais bela na madeira é a sua tradição de ter sido imprescindível, única, de ter sido o único recurso básico com a qualidade de poder nascer de novo. O óleo seca, as minas são exauridas, mas a floresta vai recriando madeira para sempre – se você deixar.

Nem entendemos ainda como funciona o poder de uma árvore no seu tempo, vivendo de sol, sais minerais e água.

Talvez nós não tenhamos dívida maior nem mais antiga do que com a madeira das árvores. E sabemos que nenhuma maturidade é tão majestosa quanto à de uma velha árvore. Foi sua madeira que nos encantou nos dias de nossa meninice. Há 2008 anos, um menino de nome Jesus cresceu na carpintaria de seu pai, tendo nascido nesta data, 25 de dezembro”.

Feliz Natal!

Inté.

 

Vitrine (comentário sobre a coluna anterior)

Ainda curtindo teu texto pensativo e grande da última Coluna. Há muito o que metabolizar aí. Vou ainda decidir se este é o melhor dos últimos textos, ou o melhor. Beijo. Vera (Verissimo), psicóloga e colaboradora crítica da coluna, Porto Alegre.

Autor

Mario de Almeida

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