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Solilóquios

Na cama, para um casal, nada é normal, pois não há o anormal. As anormalidades só podem ocorrer quando o desejo de um quer …

Na cama, para um casal, nada é normal, pois não há o anormal. As anormalidades só podem ocorrer quando o desejo de um quer se impor à não vontade do outro. Não há, pois, atos voluntários – para um casal – que sejam anormais, desde que se definam como normal todas as infinitas possibilidades de um encontro sexual.

Não há pesquisas, estudos ou coisas semelhantes que encerrem o conhecimento que se possa ter sobre a intensidade do orgasmo, pois seria o mesmo que afirmar qual o máximo do prazer.

O que se pode afirmar é sobre tendências, preferências e atividades sexuais da maioria de um tipo de universo e de cultura. Mesmo a frequência da atividade sexual varia de indivíduo para indivíduo numa faixa muita ampla considerada “normal”. Ninguém é acusado de “tarado (a)”, aos 30 anos, por fazer sexo duas vezes todos os dias ou de “frio (a)” por manter uma atividade apenas quinzenal.

Por outro lado, a combinação de fatores que se juntam para que uma relação sexual seja considerada “fantástica”, “maravilhosa”, “inexcedível” ou “o orgasmo máximo” é uma equação imponderável, onde apenas a “sensação” de prazer máximo é absolutamente correta.

As pessoas podem sentir a intensidade de seu orgasmo, mas, dificilmente, poderão descobrir a fórmula completa do que seria o seu “orgasmo máximo”.  Quem o conseguir deverá saber absolutamente tudo de si mesmo.

DOR

As dores que carregamos, as trágicas, são dores que, mesmo não entendidas, se autoexplicam como leis para quem ainda não morreu.

São as dores que cobram pedágio dos que anda não morreram.

As dores dramáticas são as dores da esperança, as dores que acenam com possibilidades de autotérmino, de intervalos indolores e, até, de infinitas alegrias que sabemos, serão finitas, mas imensas. Não fazer drama com as dores dramáticas são sapiências herdadas das dores trágicas.

Acho que sofrer, sofrer mesmo, inda que dor de voltagem bem menor, mas contínua, é não ter nada, nem potencial, com o que sofrer. É a dor de ser oco.

Pessoa X Persona

Nos meus solilóquios, cansei de perguntar se, como pessoa, eu sou o que gostaria de ser, já sabendo que a resposta é um contundente não.

Minha ética, se considerada a soma de princípios apregoados pela cultura ocidental, jamais conseguiria, de mim mesmo, uma nota 10.

Se o homem, conforme Sartre, é a sua ação, minha vida esteve longe de ser premiada, por mim mesmo, com um 10.

O que me salva, e me deixa dormir à noite, é que cada ação negativa tem um peso específico e é possível minimizar para o outro. O “outro”, no caso, conforme o mesmo Sartre, é o Inferno.

As desculpas que eu tenho que dar para mim mesmo significam que carrego um juiz menos tolerante que a verdadeira face de mim mesmo. Mas não faço chantagem confrontando com as ações positivas do meu repertório. Nada de desculpas, pois, inclusive, o indesculpável é uma exigência para escorregar menos.  Nada de absolvições por me dobrar, às vezes, ao argumento da precária condição humana.

A persona com a qual me apresento ao mundo é a máscara do que eu gostaria de ser, mas não sou.

Resta-me a certeza de haver feito, na vida, mais ações positivas que negativas. E o cínico que habita em mim reclama:

– Não dava para errar muito mais?

Inté.

 

Vitrine (comentários sobre a coluna anterior)

Mario, sua crônica hoje está demais. Botei no Twitter. Veja: http://www.tweetdeck.com/twitter/UmCertoCapitao/~JYdwE

Rodrigo Menezes, publicitário, São Paulo.

“Que eu não mereço a comida

Que você pagou pra mim!”

Muito bom, não conhecia a canção.  Beijos. Rachel Almeida, jornalista, Rio.

Hotel Avenida e aprendiz de Noel Rosa:

Minha avó, já falecida

acusou por toda vida

meu avô, garçon no Avenida

de apalpador de camareira

e comedor de passadeira.

O velho, no balanço da cadeira

sorria, não se dava ao enfado

mas somente o olhar safado

garantia que por vida inteira

beijou bocas, apertou peito.

 

Levou fama com proveito.

Com lágrimas nos olhos, muito amor e saudade – para vovó e vovô. Roberto de Jesus Castro, empresário, Rio.

Mário Querido: desde o aforismo inicial do velho e genial Lupicínio até os versos imortais do Último Desejo de Noel, essa sua crônica sacudiu as minhas emoções. Emoções ligadas a uma Cidade Maravilhosa que só vim conhecer pessoalmente em julho de 1965 (no meu 22º aniversário), dezesseis anos após sua bela “Experiência” a partir da Ilha de Paquetá. Costumo dizer que você é um dos últimos que Viveram e Fizeram História no tempo em que nosso País ainda inspirava um pouco de “brasilidade & orgulho”, no melhor dos sentidos. Um abração do Francisco Cunha, engenheiro agrônomo, professor, São José. SC.

(Sobre a crônica “Sem queixas”)

Sem queixas – Tio, A recíproca é verdadeira, minha alegria de viver também é ampliada com a sua presença e de toda a nossa família. Beijos, Ruth Negrini, São Paulo

A frase viver bem… etc. (é a melhor vingança) remete ao Hugo Maia, irmão do Carlito, que certo dia nos contava que saíra de cana disposto a ficar rico só por vingança e encontrou um amigo, o José Bonifácio, que o encaminhou a uma empreiteira que acabara de construir a represa de Ibiúna (hoje só tem casas de milionários por lá), e o Hugo, que recebera uma boa grana de indenização da agência em que trabalhava e fora mandado embora por ser subversivo, comprou toda a orla da represa… e passou a viver uma vida de milionário: tinha um Galaxy com motorista, uma ótima casa em São Paulo e completou a história : “Quando eu precisava de  grana vendia um lote!!!” O Carlito interessou-se e perguntou a ele quem era esse tal José Bonifácio? E o Hugo concluiu: “Sei lá, o patriarca da minha independência”. A família Maia eu nunca vi igual… Agora a Duca tá quase inaugurando em Brotas (onde ela mora) a Escola Profissionalizante Carlito Maia e também lançando o Muriqui (um macaquinho em extinção) pra ser o símbolo da Copa do Mundo no Brasil – o Sócrates, que já havia participado de um evento pela Escola, iria ao Rio pra  participar de um outro… o Chico Buarque tirou fotos imitando um macaquinho… a família é jogo duro!!! E o Carlito era um amigão seu (me contava causos seus sempre)… abraços. Luiz Orchestra, músico, São Paulo.

Autor

Mario de Almeida

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