Quando ouvimos os sinos, ouvimos aquilo que já trazemos em nós mesmos como modelo. Sou da opinião que não se deverá desprezar aquele que olhar atentamente para as manchas da parede, para os carvões sobre a grelha, para as nuvens, ou para a correnteza da água, descobrindo, assim, coisas maravilhosas. O gênio do pintor há de se apossar de todas essas coisas para criar composições diversas: luta de homens e de animais, paisagens, monstros, demônios e outras coisas fantásticas. Tudo, enfim, servirá para engrandecer o artista. (Leonardo da Vinci)
Enquanto Steve Jobs é o assunto que vem ocupando espaço e tempo dos veículos de comunicação, estou há dias em busca de um assunto para esta coluna.
Tempo perdido.
Hoje, domingo, é o dia no qual esta coluna já deveria estar escrita – e até agora – nada:
Hoje é domingo
Pede cachimbo…
Não fumo cigarro, cachimbo e nem nada, sou apenas um careta à busca de uma ideia.
Hoje é domingo
Pede assunto.
Enquanto diversas áreas dos veículos de comunicação foram ocupadas pela morte de Steve Jobs, de fato, o que chamou a minha atenção na figura do gênio foi seu sucesso em oferecer produtos confortáveis para um mercado que se antecipava no tempo. Jobs trouxe para o agora o que, certamente, viria mais tarde. A genialidade não aconteceu apenas na criação de produtos, mas na prospecção de desejos ainda não manifestos pelo universo de usuários.
Por bem, ou por mal, Jobs é descrito como uma pessoa intratável, dessas pessoas que os funcionários evitam cruzar nos corredores, temerosos de uma agressão verbal ou coisa parecida. Por mais que Jobs haja tornado a vida de algumas pessoas um Inferno, ele beneficiou parte da humanidade com seus produtos antecipados no tempo. E isso o torna uma figura extraordinária, cujo capital era um QI extraordinário. Por isso, sua vida foi tão festejada na sua morte. O desfalque recebeu um registro do tamanho de sua importância.
O que me chocou no perfil do falecido é o seu desprezo pelas regras de urbanidade, além de ser um cidadão típico de terceiro mundo que não se vexava de estacionar o carro em vagas de deficientes ou de idosos.
Esses detalhes do cotidiano de Jobs deram-me conta, pelo mínimo de leituras biográficas, que sei nada sobre as figuras que mudaram o conhecimento humano.
Jobs gerou em mim uma grande curiosidade de como teria sido a vida dessas pessoas extraordinárias que entraram para a história do Ocidente?
Lembrei-me de Leonardo da Vinci, o gênio dos gênios, de cujo cotidiano sei nada além de suas notórias incursões pelas artes e pelas ciências.
Como foi possível que um único mortal somasse conhecimentos de anatomista, arquiteto, botânico, cientista, engenheiro, escultor, inventor, matemático, músico, pintor e poeta, além de ser o precursor da aviação e da balística? Esse incomum dormia como dormem os comuns?
Esse tipo de interrogações reafirma a máxima: quanto mais se sabe, menos se sabe.
Termino por aqui registrando que escrever esta coluna foi tão cruel que nem Vitrine quis participar dessa falta de assunto e abandonou-me sem um único comentário.
Inté

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