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– Hoje tem marmelada? – Tem sim, senhor! – Hoje tem goiabada? – Tem sim, senhor! – E o palhaço o que é? – …

– Hoje tem marmelada?

– Tem sim, senhor!

– Hoje tem goiabada?

– Tem sim, senhor!

– E o palhaço o que é?

– É ladrão de mulher!

(Versinhos do folclore anunciando a chegada do circo numa localidade)

Hoje não tem Vitrine, ou melhor, não tem a coluna tradicional, ou melhor, só tem a Vitrine.

Face à grande quantidade de dígitos recebidos sobre a coluna anterior – “Vivendo o futuro” –, além das opiniões que justificam a existência de Vitrine e para não sobrecarregar este espaço, inauguro o mês de outubro de folga, mas sem esquecer que dia 12, além de outras comemorações, é o Dia da Criança.

Algumas opiniões estão acrescidas de muito carinho para com o colunista, o qual não tem nada a fazer além de agradecer.

Obrigado, mas mesmo com exagero é bom, não é?

Comecemos pela família. Meu filho adotivo, Eloí Flores, engenheiro agrônomo, hoje diretor do campus, Guaíba, manda lá do Sul:

Mario, boa noite. “Vivendo o Futuro” – espetacular por colocar o leitor frente a uma realidade; a maioria, por certo, não pensa sobre ao longo de sua existência. Abração.

Já que estamos em família, e-mail da minha dona, a Aurea, reforça a opinião do primo José Roberto Filippelli, publicitário casado com minha prima-irmã, também publicitária, Maria Eunice Filippelli, aposentados da Rede Globo na qual, por décadas, prestaram serviços na Europa. Hoje moram na serra fluminense, em Araras, RJ. Mandou Filippelli:

Mario, muito bom. Grande abraço.

Ainda do Sul, de Porto Alegre, minha amiga de sempre, a psicóloga e tradutora Vera Verissimo mandou um e-mail que prova a minha afirmação que amizade atrai carinho que tende aos exageros, inda que saborosos:

PQP, filho da mãe, quem sabe sonhaste, mas já estavas sonhando ao escrever o texto da frase que tinha ficado boiando nas ondas que quebram em tua praia. Continuas me deslumbrando, e isso, bem sabes que nem é só a máscara da noite, mas esse jeito de sorrir que tens ao escrever. Diabo, tenho que escrever isso a 1500km de distância! me deste um presente e nem é meu aniversário, nem Natal, nem Páscoa, nem Dia da República, nem nada. Então, é só, obrigada. Beijos. Vera.

De São Paulo, onde hoje reside o publicitário baiano, meu amigo Rodrigo Menezes citou o escritor tcheco Milan Kundera em a Insustentável Leveza do Ser:

Querido Mario, sua crônica de ontem, 26, me lembrou Kundera: “Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo ‘esboço’ não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.” Abraço.

Também de São Paulo, meu amigo desde os tempos da Escola Caetano de Campos, o de sempre “Paissandu”, mandou ao pé da coluna:

Meu querido Mario – “Parabéns pelo ‘Vivendo o futuro’. Na minha pobre opinião você atingiu o auge de seu amadurecimento agora, por volta de completar seus oitenta anos. Siga por essa linha, esqueça traumas, mágoas e ressentimentos, porque a vida os traz para todos nós. Aventuro-me a fazer esses comentários pelos nossos setenta anos de amizade. Um forte abraço a você e toda sua família. Celso de Almeida Roberti.

Do eixo Olinda/Recife, meu amigo arquiteto Moisés Andrade, que só me chama como o Dr. Roberto Marinho o fazia – jovem – comunica que acabaram suas férias e já está de volta à base, depois de pescarias no Pantanal:

Jovem Mario, boa noite. É visto que voltei da pescaria. Alegria, Moisés.

Notícia que veio de longe, de Carlos Alberto Lopes, militar e vizinho:

De Brisbane, Australia, onde visito filha, genro e netos, envio ao todo-poderoso Senhor do Novo Leblon um abraco (teclado australiano nao tem c com cedilha e nem acentos, desculpe-me). Rio.

Já escrevi aqui, algumas vezes, que moro num megacondomínio cuja população flutuante é de 5 mil pessoas. Aderbal Moura e eu somos daqueles residentes antigos, com mais de 30 anos do mesmo CEP, do tempo em que o CEP só tinha cinco dígitos. O vizinho mandou:

Prezado Mário: tem sido assim, eventualmente escrevo algo sobre os assuntos de sua coluna, mas sempre e cada vez mais admirando sua capacidade inesgotável de nos atingir com o seu carisma, sabedoria e sensibilidade no trato das questões da vida, os quais comprovados  por inúmeras manifestações de seus leitores habituais.

Neste artigo de hoje, “Vivendo o futuro”, me vi como num espelho e filosofando como o personagem. No mínimo estou neste ciclo, e realidade ou não, não será eu?

Outra constatação é que sendo seu vizinho aproveito muito pouco dessa figura tão eclética, talvez você seja como o Drummond definiu o Guimarães Rosa (aproveitei partes do texto, adaptando-o para tentar falar com a linguagem do Poeta para você): 

“Mario é fabulista?

fabuloso?

fábula?

Urbano, místico disparando

no exílio da linguagem comum?

Projetava na inteligência

a quinta face das coisas,

inenarrável narrada?

Era um teatro

e todos os artistas

no mesmo papel,

ciranda multívoca?

E no destinado geral

seu fado era saber

para contar sem desnudar

É difícil saber o que é o Mario e se Mario existe

de se pegar.”

Abraços. Aderbal.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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