Fi-lo porque qui-lo
Jãnio Quadros
“Jânio da Silva Quadros dia 25 vai renunciar à presidência do Brasil e os Três Patetas – vice-almirante Sílvio Heck, ministro da Marinha; marechal Odílio Denys, ministro da Guerra; brigadeiro do ar Gabriel Grum Moss, ministro da Aeronáutica – vão se opor à posse de Jango, o vice-presidente, agora na China, mas quando retornar ao país.
Face à tentativa de quebra da ordem legal, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, vai conclamar o povo à resistência e surgirá o movimento Legalidade.
Depois de uma grande mobilização popular do povo gaúcho e à adesão do comandante do III Exército, o movimento vai se espalhar pelo Brasil.
Após o consenso de ambas as partes, em 7 de setembro João Goulart finalmente assumirá à presidência num sistema parlamentarista, tendo Tancredo Neves como Primeiro Ministro”.
Naquele réveillon de 1960/61 nenhum “profeta” de plantão arriscou-se a prever o que viria, há 50 anos, no mês de agosto.
Em 1963 um plebiscito devolveu o país ao sistema presidencialista e confirmou a condição de patetas daqueles militares que quase levaram o Brasil a uma guerra civil.
Durante décadas perguntava-se o motivo ou motivos que levaram Jânio a renunciar, mas sempre restavam apenas hipóteses.
Cinco anos depois, eu era amigo de José Aparecido de Oliveira, secretário particular de Jânio presidente, mas nunca consegui do bom mineiro a graça da revelação.
Jânio morreu em 1992 e, quatro anos depois, seu neto revelou o até então segredo. Jânio Quadros Neto publicou a confissão do avô: renunciara porque tinha certeza de que o povo, os militares e os governadores o levariam de volta ao poder. Não levaram.
Jânio Quadros Neto ouviu do avô que a renúncia foi ‘’o maior fracasso político da história republicana do País, o maior erro que cometi’’.
Muitas histórias verdadeiras e inventadas circularam sobre a esdrúxula figura de um presidente que se preocupou em proibir o biquíni nas transmissões de TV dos concursos de miss, proibiu as rinhas de galo e o lança-perfume e regulamentou o jogo carteado. Entre outras coisas, foi um delegado de costumes.
Por hilárias que possam ter parecido essas medidas na ocasião, nenhuma mais hilária a qual, em seu velório apareceu um homem aos prantos. Jurava que, muitos anos antes, estava no alto de um prédio disposto a se matar quando Jânio, então um jovem vereador, gritou: “Não faça bobagem.” Ele explicou que ia pular porque a esposa o traíra. Jânio dissuadiu o suicida: “O que tua mulher te arrumou foi um par de chifres, não um par de asas. Desça daí já!”
Inté.
Vitrine (comentários sobre coluna do Dia dos Pais)
Todo brinde é levantado em uma ocasião especial. Brinda-se o casamento de um amigo, a primeira comunhão ou o bar mitzvah de seu filho, a formatura de um colega, a aposentadoria de um companheiro e, com raríssimas exceções, o brinde é representado por um tocar de copos. Tocam-se e nem sempre tocam os corações. Um brinde feito com palavras, sem acompanhamento, puro, cala muito mais fundo. Como pai agradeço-te e retribuo o carinho que o teu escrito representou para mim. Abração, Luiz Fernando Vernieri, executivo, Campinas.
Bacana o texto, meu querido amigo! Espero que o seu Dia dos Pais tenha sido de muito afeto. Beijos
Monica Magaldi Suguihura,biomédica, Bebedouro, SP.
Valeu mano-véio. Felizes dias dos pais que tivemos e que agora somos. Abraços, Rogério Fróes, ator, Rio.


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