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Fugindo do noticiário

Quando, em abril, Wellington Menezes de Oliveira atirou em salas de um colégio de Realengo, 11 crianças morreram, 13 ficaram feridas e o assassino …

Quando, em abril, Wellington Menezes de Oliveira atirou em salas de um colégio de Realengo, 11 crianças morreram, 13 ficaram feridas e o assassino suicidou-se.

Durante mais de semanas, a tragédia pipocou de todas as maneiras na grande imprensa e nenhuma me saciou a curiosidade: do que vivia o assassino que só pagava suas contas em dinheiro? Exemplo típico de uma cobertura tão grande quanto mal feita. Alguém ficou com uma grana malocada?

O problema dos fatos que se arrastam pelos noticiários, na sua obrigação de informar, é que eles abrem o apetite de muita gente para meter a colher no assunto e dar opinião. Daí, infelizmente, uma tragédia vira telenovela… Haja saco.

Semana passada, escrevi que desde minha desistência – por questão de nível – de escrever sobre política nacional, busco sempre um assunto que não esteja intoxicando os veículos de comunicação, como no momento, por exemplo, o escândalo do Ministério dos Transportes.

Imagino que, no dia de hoje, sou o único jornalista no mundo a escrever sobre as ilhas Diomedes.

Às vezes, um choque na ignorância é tão profundo que leva tempo para ser digerido. Foi o meu caso.

Minha sobrinha Márcia Varaschin, de Florianópolis, enviou-me, há semanas, um e-mail sobre as duas Ilhas Diomedes, cujas existências eu jamais supusera, apesar do inusitado de suas localizações.

Jamais imaginei um lugar no mundo onde os territórios dos Estados Unidos e da Rússia estivessem a menos de 4 km de distância e muito menos que qualquer percurso de um para outro tenha uma diferença de 24 horas. O que torna o lugar inda mais curioso é que exatamente entre as duas ilhas passa a “Linha Internacional de Data”, criando um fuso horário de um dia numa distância que chega a ser visual.

Enquanto no território dos EUA, na Pequena Diomedes, 170 habitantes habitam o pé de uma íngreme encosta, na Grande Diomedes, a Rússia removeu seus habitantes para o continente e ela permanece desabitada. 

Bisbilhotando sobre as Diamedes, concluí que o ponto extremo do Leste Russo e o extremo Oeste norte-americano, no estreito de Bering, distam cerca de apenas 200 km, ou seja, a metade da distância entre as cidades do Rio e São Paulo. Quem diria (?) disse eu para mim mesmo!

Em tempo: não descobri nenhuma relação entre as ilhas Diomedes e Diomedes, o guerreiro herói da mitologia grega, companheiro de Ulisses na Guerra de Tróia, conforme a narrativa na Ilíada.

Em compensação, a Igreja Ortodoxa, da Rússia, tem dois santos Diomedes e daí a origem do nome das ilhas. 

Inté

 

Vitrine (comentários sobre a coluna anterior) 

Mestre Mário. Parabéns pela franqueza na sua corajosa auto descrição. Em regra, é assim mesmo que está nosso modorrento jornalismo, cada vez mais afeto ao sensacionalismo raso e vulgar, alimentado pela audiência dessa massa amorfa. Abração! Carlos Eduardo Cunha, professor de Comunicação, Florianópolis.

Querido Mario

Você é muito mais que objetivo – você é completamente coração e indignação = caráter e, sobretudo, amizade. Continue nos alimentando com o sua visão (objetiva) do mundo.

Um grande abraço. Modesto Carvalhosa, advogado, São Paulo

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Autor

Mario de Almeida

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