Ontem, 23, foi feriado nacional por conta do Corpus Christi, data que, apesar de eu ser um curioso de berço, nunca me despertou maior curiosidade e, afinal, através do Google, conheci o seu significado.
Instituído pelo papa Urbano IV, em 11 de agosto de 1264, Corpus Christi é uma festa que remete ao Corpo de Cristo. É uma data adotada na Igreja Católica para comemorar a presença real de Jesus Cristo no sacramento da eucaristia, pela transformação da substância do pão e do vinho na substância de seu corpo e de seu sangue, pois o catolicismo declara que a hóstia se torna carne e sangue de Jesus Cristo.
Aqui no Rio, ontem, cerca de 100 mil pessoas acompanharam a procissão pelas ruas do centro carioca e coisa que conheço, há tempos, como costume, são os tapetes de sal decorados e colocados por onde passam as procissões e que dão um toque festivo à data. Dizem os registros que em Portugal, criador do costume, a tradição morreu, mas nos Açores não e, pois, não é por acaso que Florianópolis se destaca no Brasil nesse culto festivo.
Também tradição portuguesa, com influências de diversas culturas europeias e muito festejadas no Nordeste brasileiro, são as festas juninas, quando São João, hoje, 24, dia em que escrevo, dia 24, se destaca nos folguedos, com as cavalhadas e outras manifestações.
Resta-me a alegria de haver estado em Patmos, ilha grega onde São João esteve exilado. E também em Delfos, hoje em território turco, onde ele morreu. Alegria errada, o João cultuado no dia 24 é o Batista, nada a ver com o Evangelista e que, não sendo turista, inda que também apóstolo, nunca esteve em Patmos e nem em Delfos.
Ao Batista, pois, é para o qual se queimam fogos e se pulam fogueiras.
Há algum tempo, não muito, resolvi, com o devido aval de meu editor, José Antonio Vieira da Cunha, criar nesta minha coluna semanal a “Vitrine”, ou seja, um apêndice com e-mails recebidos referentes à última coluna publicada e inseridos na coluna subsequente. E, às vezes, com algum atraso. É o caso de hoje, por exemplo, onde o arquiteto pernambucano Moisés Andrade e o professor e doutor de Comunicação Social, o catarinense Carlos Eduardo da Cunha referem-se à coluna dos pecados capitais, publicada há duas semanas:
Jovem Mario, alegria!, sempre vi a inveja como “o pecado”: desejar que o próximo não tenha o que tem. Entendo bem a “inveja boa” como a “intriga do bem”. Moisés Andrade;
Mestre Mário, com atraso, mas novamente encantado com o seu texto, faço o registro da saborosa leitura desta crônica. A Igreja não sabe o que perdeu. Abração! Carlos Eduardo
Fico muito feliz quando um leitor, amigo ou mesmo desconhecido, mete a sua colher no meu assunto. Como, às vezes, o leitor não concorda comigo, resta-me a tranquilidade de me saber não imbecil, pois, conforme Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra.
O que mais me alegra em Vitrine, além da evidente fraternidade, é que muitas vezes os e-mails “esticam” e valorizam meus textos, ou seja, novas opiniões desprendem-se das cucas dos leitores e iluminam o tema focado. Essa interatividade a gente fica devendo, como muitos outros avanços à Internet, essa rede mundial com mais de dois bilhões de usuários.
E, dando por findos os trâmites desta coluna, o escriba retorna ao ócio abençoado e também festivo.
Inté.

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