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Teoria do equilíbrio competitivo

Os norte-americanos são, sem dúvida, um dos grandes vanguardistas em termos de patrocínio esportivo. Não poderia vir de outro país, portanto, uma teoria inteligente …

Os norte-americanos são, sem dúvida, um dos grandes vanguardistas em termos de patrocínio esportivo. Não poderia vir de outro país, portanto, uma teoria inteligente e prospectiva. Estamos falando da Teoria do Equilíbrio Competitivo.

E no que consiste a Teoria do Equilíbrio Competitivo? Basicamente, objetiva manter de forma permanente o interesse do espectador nos jogos da MLS(Major League Soccer, a liga do futebol(soccer) nos EUA) até o final do campeonato e, desta forma, fazer com a competição gere mais faturamento para os clubes, liga e atletas. O interesse do espectador é proporcional à incerteza do resultado. E esta incerteza advém da igualdade entre os times concorrentes: quanto mais parelha a competição, maior a expectativa dentre os torcedores dos times. Pouco provável que aconteça, por exemplo, de já na metade do campeonato estarem decididos o campeão e primeiros colocados, bem como os times rebaixados. Interesse da primeira à última rodada.

E como se dá isto, na prática? Através de três mecanismos:

1)    Draft: os times que foram os piores colocados na temporada anterior têm prioridade na contratação dos melhores atletas. Desta forma, se uma equipe está frágil do ponto de vista do seu elenco, ela terá a possibilidade de se reforçar, tornando-se mais competitiva.

2)    Limite salarial: é estabelecido um teto salarial para os jogadores, impedindo o exercício desmedido do poder econômico. O que vemos hoje no futebol brasileiro e europeu são os clubes maiores(em termos de torcida, conquistas e patrocinadores) contratarem os melhores jogadores. Os times brasileiros fazem isto entre si e os times europeus(e de alguns outros países fora da Europa, como a Arábia Saudita, a Rússia, etc) fazem isto com os brasileiros, levando os jogadores de melhor nível técnico e que estão se destacando. O resultado é o natural enfraquecimento dos clubes brasileiros frente aos europeus

3)    Igualdade da participação nas rendas. Independentemente das características do clube, todos têm o mesmo quinhão nas receitas geradas. Desta forma, há uma igualdade econômica dentre os participantes da MLS, tornando-os igualmente aptos a contratar, realizar investimentos em estádios, iniciativas de marketing, etc. Esta é uma realidade bastante distante da dos clubes de futebol brasileiros. As cotas de TV(para trabalharmos um dos itens da renda) sempre foram estabelecidas a partir de percentuais pre-determinados, baseados em critérios que não eram totalmente técnicos.

Vemos, diante do exposto, que os clubes de futebol da MLS têm condições de serem competitivos em todas as temporada, aumentando o interesse de seus torcedores, telespectadores e consumidores, ampliando as receitas seja na venda de produtos, na freqüência aos estádios, na venda de pacotes de PPV pela TV por assinatura, reforçando a idéia do processo ganha-ganha. Que tal refletirmos sobre a Teoria do Equilíbrio Competitivo?

Autor

Flavio Paiva

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