Colunas

Sob efeito do afeto

Jovem Mário, bom dia!No sertão cortado pelo rio Curu (Ceará) tomava banho de cacimba com meu avô Raimundo.Tinha então 8 anos.– Vô, é bom …

Jovem Mário, bom dia!

No sertão cortado pelo rio Curu (Ceará) tomava banho de cacimba com meu avô Raimundo.

Tinha então 8 anos.

– Vô, é bom ser velho?

– Só se você construir boas lembranças…

Alegria!

(Moisés Andrade, arquiteto, Olinda, PE)

Não estava calor nem frio, mas um coração foi aquecido na segunda-feira passada, dia 9. O meu.

Há meses, lancei meu livro Almanaque do Camaleão no condomínio onde moro na Barra da Tijuca, uma “aldeia” com pouco mais de cinco mil habitantes. Alguns aldeotas amigos promoveram um coquetel e, apesar de uma impiedosa tempestade, o champanhe borbulhou alegre entre os muitos presentes.

Pretendia fazer um lançamento diferente na Zona Sul do Rio de Janeiro, um happening numa estação do Metrô, com saxofone, com esquetes do grupo teatral do Amir Haddad – Tá na rua –, Rogério Fróes dizendo um pouco de Quintana e o que mais pintasse como, por exemplo, um coral.

Conclusão: depois de esperar dois meses por uma resposta, não houve resposta.

A falta de educação da profissional (sic) do Metrô castrou-me e, como não queria cair no lugar-comum de “livraria/coquetel”, inventei um talk-show com Amir Haddad, Paulo José, Rogério Fróes e eu mesmo, na Casa de Cultura Laura Alvim, um centro receptor de atividades artísticas, dirigido por Lygia Marina.

Como muita gente já possuía o livro, a presença foi modesta, mas gratificante.

Pedro Porfírio, ex-vereador carioca, um ativista político e eu nos reencontramos depois de 40 anos. Na mesa do talk-show, aqueles que nomeei como amizades recentes: Rogério Fróes – 1956 –, Paulo José – 1957 – e Amir Haddad – 1958. Na platéia, Luiz Carlos Maciel, amigo também desde 1957 e, outra amizade do mesmo ano, um gripado saído da cama, o jornalista Léo Schlafman.

A presença de antigos vizinhos de tempos remotos ressuscitou gostosas lembranças e completou minha noite de coração aquecido.

Na mesa, mesmo eu tendo saído da barca no meio da viagem, estavam sentados 200 anos de vida teatral.

Amir, contando o envolvimento total de toda a sua vida com o teatro, se perguntava sobre a eventual sobrevivência do seu trabalho quando ele se fosse. Lembrei-o do bastão que, saído da Grécia, chegou às nossas mãos e agora esclareço um pouco mais a minha resposta.

O teatro é eterno e, de bastão em bastão, ele vai deixando um testemunho de cada época.

Na Idade Média, a Igreja, face à tradição pagã que os romanos herdaram dos gregos, proibiu as manifestações teatrais. Os menestréis e saltimbancos apossaram-se do bastão do recado humano e, de praça pública em praça pública, chegaram, já também com os trovadores, ao Renascimento.

Shakespeare, Lope de Vega, Calderón de la Barca e contemporâneos beberam na Grécia antiga que, desde cinco séculos AC, foi dando forma a uma teatro que, com eles, Molière, Goldoni e tantos outros chegaram aos nossos dias.

Com Rogério Fróes e outros do Teatro Rural do Estudante, transformávamos carteiras escolares em palcos e levávamos espetáculos para os alunos/crianças. O nosso movimento levou a Prefeitura a construir naquele subúrbio o Teatro Artur Azevedo e, de lambuja, um teatro de Arena. Rogério e eu participamos dos espetáculos de inauguração de ambos e eles estão lá.

Em 1958, Porto Alegre possuía o Theatro São Pedro e um auditório do Instituto de Belas Artes. E só.

Milton Mattos, Paulo José, Peréio e eu construímos a sede do Teatro de Equipe dois anos após a sua fundação. Hoje, Porto Alegre tem dezenas de casas de espetáculos.

Assim Drummond começa o seu extenso poema Resíduo:

De tudo ficou um pouco

Do meu medo. Do teu asco.

Dos gritos gagos. Da rosa

ficou um pouco…

Inté.

Vitrine (Notas sobre a coluna anterior)

E daí por diante, quando a mulher tinha um derrière interessante, era chamada de “Maria Gasogênio” como hoje são as Peras, Melancias, Jacas, aaaaarghhhh… Abraços.

Luiz Orquestra, empresário musical, São Paulo

Bom dia Mario, puxa! Nem me lembrava mais do Gasogênio!

Eduardo Coelho, empresário imobiliário, São Paulo 

Valeu pela noite em que o reencontrei como âncora de amigos d’outrora, que não via desde priscas eras. E pela aula, agora, nessa coluna sobre o “carro com mochila”. Abraços.

(Pedro) Porfírio. Ex-vereador, ativista político, Rio

Mario: Como teu fiel leitor de todas as segundas-feiras no Coletiva.net, estou curioso por conhecer teu novo livro, Almanaque do Camaleão. Vou poder encontrá-lo nas livrarias de Porto Alegre?

Antonio Goulart, jornalista, Porto Alegre.

Resposta:

Goulart: Infelizmente, minha distância temporal com Porto Alegre findou antigas relações, inclusive no ramo livreiro. Estou operando o “Delivery books”, ou seja, estou vendendo pelo banco e entregando pelos Correios, com relativo êxito. Os interessados mandam-me um e-mail – [email protected] – e eu mostro o caminho das pedras. O preço, incluindo frete, é R$ 32,00.

Abração.

Mario

Autor

Mario de Almeida

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.