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Nunca se falou tanto em transmissões esportivas pela televisão como nos últimos meses. No Brasil, em função de três fatores: 1)    renegociação dos

Nunca se falou tanto em transmissões esportivas pela televisão como nos últimos meses. No Brasil, em função de três fatores:

1)    renegociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A;

2)    Brasil vai sediar a Copa do Mundo 2014;

3)    Brasil vai sediar os Jogos Olímpicos 2016.

Junte-se a isso o fato de novas modalidades estarem atraindo o interesse da audiência, como a Fórmula Indy. Por fim, some-se ainda o fato de outros eventos esportivos estarem chegando ao vídeo em doses cada vez mais intensas.

Sempre que falamos na ampliação da transmissão de eventos esportivos, vem a mesma pergunta: qual é o limite de saturação das transmissões? Quando o torcedor perderá o interesse pelos jogos de seu time?

A resposta a esta pergunta é bem mais complexa do que parece. Alguns indicadores de audiência mostram que há uma queda no interesse por partidas de futebol, por exemplo. O Campeonato Paulista deste ano está dando à TV Globo audiência inferior à do ano passado (de 20,7 pontos de média no Ibope de 2010 passou para 18 pontos em 2011). Alguns jogos da Seleção Brasileira de futebol têm índices muito baixos de audiência. E há outros indicadores que apontam para uma queda de audiência nas competições.

Por outro lado, há fortes indícios de que a TV está mais forte do que nunca. A TV Globo está pagando valores expressivos aos clubes de futebol brasileiros. A Liga Italiana de futebol acaba de celebrar um contrato milionário dos direitos de transmissão, totalizando 1,822 bilhão de euros por dois anos de contrato, relativo às temporadas 2010/11 para a primeira e segunda divisões de futebol daquele país (contrato celebrado de forma coletiva, inédito naquele país e mostrando que a força cooperativa é insuperável, conforme já referi neste espaço anteriormente).

São dois lados aparentemente paradoxais: se as transmissões estão apresentando queda de audiência (parte das transmissões), como explicar que as emissoras de TV estejam pagando valores altamente expressivos?

A resposta é: depende. Depende de quais jogos, campeonatos e times estamos falando. Exemplo: os jogos da Seleção Brasileira de futebol que apresentaram baixos índices de audiência (para o nível de audiência tradicional da nossa Seleção) foram aqueles disputados contra adversários inexpressivos do cenário futebolístico mundial, seleções sem tradição. Ou ainda disputados em horários pouco convencionais, quando as pessoas estão ou dormindo ou trabalhando.

Continuando a resposta: estamos vivendo uma saturação de jogos transmitidos pela TV, sim. São transmitidos inúmeros jogos, torneios, competições das mais variadas modalidades. Tudo o que é demais cansa e, no caso dos jogos, não é diferente.

Por fim, some-se a isso a possibilidade de o torcedor acompanhar os jogos pelo celular e pela Internet. Mais ainda: com o fenômeno da “embutecação” dos jogos (neologismo que acabo de criar para definir os botecos que têm TVs em que transmitem os jogos), há uma concentração de pessoas assistindo a um jogo em um mesmo lugar, o que pode significar queda de audiência. São pessoas que eventualmente assistiriam aos jogos em casa (e, portanto, teríamos vários aparelhos de TV ligados), mas preferem assisti-los em um boteco, na companhia de amigos.

O torcedor quer relevância na escolha dos jogos a serem transmitidos. Como cliente, leitor e telespectador, faço coro àqueles que querem relevância: com o tempo cada vez mais exíguo, queremos sempre o filé. Não queremos perder tempo com prolegômenos, buscamos o essencial. Seja ao ler o jornal, ao ouvir o rádio, ao ligar a TV, ao acessar a Internet. Vivemos um mundo onde é rico quem tem tempo, e o tempo livre precisa ser aproveitado da melhor forma possível.

Autor

Flavio Paiva

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