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Mascarado

Chamamos mascarado aqueles que, ao obterem fama, dinheiro, vantagens, tornam-se arrogantes, não reconhecendo mais os amigos, tratando-os com desprezo. Recente episódio com o jogador …

Chamamos mascarado aqueles que, ao obterem fama, dinheiro, vantagens, tornam-se arrogantes, não reconhecendo mais os amigos, tratando-os com desprezo. Recente episódio com o jogador Neymar envolveu uma máscara (que faz parte da campanha de um dos patrocinadores do jogador, a Nextel).

O jogador já havia recebido um cartão amarelo (com justiça, pois havia cometido uma falta). Ao fazer um gol (lindo gol), saiu para comemorar e colocou a máscara. Resultado: o jogador recebeu cartão amarelo e, por ser o segundo, terminou expulso. Vi na TV a análise do comentarista de arbitragem da RBS TV e SporTV Leonardo Gaciba (que, para quem não sabe, era até o ano passado árbitro), explicando que qualquer tipo de adereço é proibido nas comemorações. Explicou ainda que foi uma iniciativa da FIFA em função de torcidas tradicionalmente adversárias lançarem mão de ofensas, umas às outras, xingando-lhes de nomes de animais, apelidos grosseiros, etc. O árbitro – que, muitas vezes, vem de fora da cidade para apitar – não saberia destas peculiaridades e, por desconhecer, acabava não punindo. Desta forma, ao punir adereços, a FIFA encerra a questão, protegendo os jogadores e árbitros e desestimulando ofensas entre torcidas.  Iniciativa acertada, portanto.

Para ver o vídeo, basta acessar o Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=4UAe88sLhtM

Na situação específica de Neymar, há algumas questões importantes:

1)    O jogador, que já teve problemas de comportamento, estava em uma fase relativamente calma. Vendo o jogo, foi possível constatar que ele tem, em diversos momentos, atitudes desrespeitosas para com o árbitro, reagindo de forma ora extremamente irritada, ora até desaforada, partindo para cima do árbitro com o dedo em riste. No episódio da máscara, ele fica totalmente descontrolado, tendo que ser segurado pelos seus companheiros e termina jogando a máscara em direção ao árbitro.

2)    Desconhecimento por parte do atleta, das pessoas que lhe assessoram (sejam elas do clube ou de fora dele) e/ou do patrocinador (ainda não está claro se a iniciativa partiu do jogador ou do patrocinador) das regras do futebol. Tal como não é permitido aos motoristas e cidadãos alegar desconhecimento do Código de Trânsito, igualmente não é possível que um atleta desconheça as regras do esporte que pratica e que é seu ganha-pão.

3)    Falta de responsabilidade (igualmente, Neymar é reincidente) social do jovem atleta. Ao tomar atitudes de desrespeito e por ser um formador de opinião, ele está sugerindo e, de uma certa forma, estimulando e até endossando que seus fãs façam o mesmo. Parece exagero, mas isso acontece.

Antes que me acusem, acho Neymar um jogador extraordinário e que tem tudo para ser mundialmente famoso. Entretanto, seu comportamento pode restringir muito sua carreira, reduzindo o investimento de patrocinadores (isso mesmo: as empresas não querem associar suas marcas a jogadores que transmitam valores equivocados), tendo sua contratação e convocação por técnicos limitadas. Neymar é jovem e tem tudo para corrigir a rota de sua vida profissional de vez. Ele empresta alegria aos jogos de futebol, que tanto perderam em plasticidade. Porém, suas qualidades não podem servir de salvo conduto para atitudes perniciosas e equivocadas. Contemporizar, alegando que devemos deixá-lo jogar e não adotar uma política de vigilância sobre seus atos é um pensamento perigoso. E é esse tipo de comportamento que acaba, se não coibido, gerando atos espantosos de intolerância, indisciplina e de falta de limites. Não vamos confundir sermos abertos com laissez-faire.

Outro vídeo de intolerância é o do jogador do Vôlei Futuro sendo chamado de bicha por um ginásio inteiro. Pode ser visto em: http://www.youtube.com/watch?v=Fdvtm0ykqP8

Autor

Flavio Paiva

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