Não se trata de comunicação, laptops, internet, satélite, celulares e outras tralhas da tecnologia cada vez mais sobrenatural. O inconsciente coletivo está mais para os movimentos súbitos e sincronizados, como os dos cardumes, por exemplo. Silenciosamente, surge mais uma gíria, um modo, atitudes, figurinos e tudo aquilo que ninguém combina com ninguém e, como um cardume, todos viram na mesma direção. Eu mesmo quase passei a dizer “Olha só”, antes de discorrer sobre um assunto ao telefone. Ou dizer “então”, antes de responder a uma pergunta. Nem mesmo sei quando é que comecei a dizer que algo é bacana, porque era bacana falar bacana, entende? Mas tem limite. Calças jeans rasgadas, no passaran, cabelo moicano também não, especialmente porque, para fazer este corte e penteado, digamos, é preciso ter cabelos.
O umbigo profundo
Este intróito foi só para esquentar os tamborins, antes de entrar no prato quente, o prato monstrengo em que muitos comem como se fosse natural. Nessa mesa está sendo servido um egoismo que cresce e se rebustece sem controle, raivoso, doentio. A serviço de um eu de estufa, cultivado com brinquedos caros e alta permissividade. Só mesmo assim para subornar as necessidades e atenção e carinho daquelas crianças de pai ausente e mãe fazendo o pós-gradução, além de trabalhar fora. O menu que sugere o prato monstrengo também oferece o lucro individual do dinheiro fácil, e da sacanagem maquiada, para ficar com cara de marketing.
Morto não paga
Falando nisso, no meu mercado (propaganda e marketing) é assustadora a proliferação de “profissionais” que descobriram que a porta subjetiva do marketing pode ser a porta de entrada para a retórica furada, o marquetês de “encantamento”, a malandragem engravatada e as culturas de livro de aeroporto. Pura trambicagem. Juro que nunca vi tanta bobagem engomada como nesta última década. Nunca vi tanto equívoco levando o anunciante a jogar dinheiro pela janela. Com o tempo, a propaganda, salvo fantásticas exceções( quando é boa, é muito boa), foi ficando feia e burra e esquizofrênica. Por que esquizofrênica? Exemplo é bom porque encurta caminho: quem gosta de documentário sabe que o National Geographic é um excelente canal do gênero. Mas aquela equipe responsável pelo intervalo não pode bater bem da cabeça. Será que eles param para pensar que você paga para eles encherem o teu saco com 10 comerciais do NetGeo em cada intervalo? E com pérolas desta originalidade e brilho: se você vive, você respira. É óbvio, se estivesse morto, não respirava nem pagava a assinatura. Até as baratas sabem que morto não paga.

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