Os egípcios não estão pedindo pela Palestina ou por Deus. Eles estão apelando pelas chaves do próprio futuro, arrancadas pelo regime. (Thomas L. Friedman, New York Times, 10.02.2010)
O Islã crê que Allah é a única entidade com poder sobre tudo e sobre todos. O mesmo creem os cristãos e os judeus e até milhões espalhados pelo mundo, mesmo sem religião, são monoteístas que creem numa entidade superior: Deus. Allah e Deus são sinônimos, independentemente dos idiomas.
Este é assunto sobre o qual não me sinto à vontade, pois minha Lógica é confrontada com uma pergunta sem resposta: qual o motivo de uma entidade com poder absoluto precisar do meu servilismo diante dela?
Como é possível que o primeiro dos 10 mandamentos recebidos por Moisés no Sinai trate exatamente da Egolatria (amar a Deus sobre todas as coisas)?
Na verdade, nem um milhão de sessões de Psicanálise conseguiria eliminar esse meu doentio amor-próprio.
Escrevo isso face à rebelião egípcia em busca da liberdade, que Cecília Meireles definiu como “essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda…” e as ideias que pipocaram em torno de outras consequências decorrentes daquela questão. De início, surgiram receios que um novo poder no Egito caísse em mãos de muçulmanos radicais. Acho que desta vez país nenhum vai poder interferir na soberania de outros, pois parece que vem se alastrando por aquelas bandas uma benigna epidemia contra os ditadores.
Aqueles receios me lembraram do discurso do papa Urbano II que, misturando fatos com factoides, conseguiu detonar, em 1095, a primeira santa Cruzada que, quatro anos depois, tomava, pelas armas, a Terra Santa dos turcos muçulmanos: “Os Turcos infiéis estão avançando no coração do Reino Cristão de Leste; Cristãos estão sendo oprimidos e atacados; igrejas e lugares santos estão sendo profanados. Jerusalém está gemendo sob o jugo Sarraceno.
O Santo Sepulcro está em mãos mulçumanas que o transformaram numa mesquita. Peregrinos são atormentados e impedidos no acesso à Terra Santa.” Urbano II era um grande orador.
O papa não disse, mas a miséria tomava conta da maior parte da Europa e estimulava a cobiça com a insinuação de que grandes riquezas abençoariam os salvadores da Terra Santa.
Bem, não sou profeta, não escrevi Testamento nenhum, nunca li o Alcorão, sei um pouco do judaísmo, pois sou Coelho e Pinto, tenho milhares de conhecidos e amigos judeus e um nariz que aponta para minhas origens.
Não tenho a menor ideia do que vai acontecer com o planeta Terra, além do desmatamento e muitas outras agressões, mas sei mais ou menos o que tem acontecido com a Humanidade, o que me obriga a pensar se os dicionários estão certos quanto ao verbete humanismo.
Se o cristianismo sobreviveu à Santa (sic) Inquisição, se os Estados Unidos escaparam da caça às feiticeiras e aos comunistas, se povos subjugados pelo comunismo foram excluídos do sistema ou da vida, se os alemães acreditaram que existe uma raça superior e, em nome dessa superioridade, promoveram o maior holocausto da Humanidade depois do Dilúvio, que posso pensar eu, com esse nariz de povo inferior, daqueles humanos que fizeram História exterminando astecas, maias e tantas outras civilizações?
Pergunto: face à destruição do planeta pelas partes, não é mais prático acabar com o todo?
Ninguém, por favor, me acuse de pessimista, pois há recentes descobertas de novos planetas com possibilidades de vida.
Se positivo, espero que esses “planetários” não nasçam com o pecado original. Amém.
Vitrine (comentários dos leitores)
Meu querido,
Concordo integralmente com você. É deplorável. E olha que também não sou especialista em língua portuguesa. A gente acaba conhecendo um pouco até porque gosta de colocar ideias para fora, exercita, faz isto diuturnamente, lê, ouve, convive com pessoas que pensam e acaba aprendendo um pouco. Já dizia Cícero, lá na Roma antiga que “quem não lê, mal ouve, mal fala, mal vê”, embora tenha muita gente que atribuiu esta assertiva ao grande e brilhante Ênio Silveira porque tinha estampada a frase na parede ao lado, na entrada da sua Civilização Brasileira.
Também recebi o texto do “Veríssimo” sobre o Big Brother. E também outro atribuído ao William Shakespeare (Um dia a gente aprende…) que não é dele, e outro mais, lindo por sinal, atribuído a Aristóteles. Coisa deplorável. Bom, fica aqui o meu abraço e o carinho de sempre. Isnard (Manso Vieira), jornalista e publicitário, Rio
Amigo Mario, mais uma na mosca, no alvo etc. Em verdade, o que mais me emociona na ABL são as catacumbas aonde tenho a tristeza de ver que lá estão para sempre Machado, Furtado e tantos outros benfeitores, como também o alívio de ter a certeza de que lá estão para sempre que também não devem ser esquecidos. Parabéns. Um anseio: que você escreva uma crônica sobre Mario Quintana. Luiz Orquestra, executivo e músico, SP.
| Mestre Mario. Crônica soberba. Fustigou a ferida: a internet, ao contrário do que querem alguns arautos da infovia, precisa, como quase tudo na vida, de triagem. O problema é que a separação do “joio do trigo” requer alguma dose de discernimento, bom senso e informação. Coisa rara por aqui ultimamente. A propósito, nem com meus melhores professores de Português (ou brasileiro, como dizem os portugueses), no saudoso Colégio Catarinense, em Florianópolis, tive uma explicação tão brilhante sobre o vernáculo. Parabéns e abração. Carlos Eduardo (Cunha), mestre de Comunicação, Florianópolis Mário. Muito boa a crônica. Estamos esquecendo o escrever corretamente a nossa língua, que, aliás, é riquíssima. Verissimo não perderia tempo com Big Brother. José Maria Herdy de Barros, empresário, Rio |

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