
Vinicius de Moraes, Lúcio Rangel (à esquerda), o filho Pedro (à direita) e, no fundo, o mural assassinado
Mestre Mario,
os autógrafos nas pilastras da Fiorentina me fizeram lembrar o pequeno restaurante Arantes, no Pântano do Sul (vê se isso é nome de bairro), em Floripa. Acho que você conhece o local, à beira mar, onde anônimos e famosos deixam recados, prosas e poesias nas suas paredes. Vale pela jogada de marketing inusitada, vindo da cabeça de um pescador, pessoa simples. No começo, administrado pelo velho Arantes, era pitoresco e interessante. Hoje quem toca é o filho, um dos ignóbeis defensores da “farra do boi” aqui na ilha – uma lástima. Excelente 2011 e abraço do fã confesso.
Dr. Carlos Eduardo Cunha, professor de Comunicação, Florianópolis
Carlos Eduardo:
Infelizmente, não conheço o Arantes. Conheço e me fartei de comer camarão de todos os modos (de preparação) em diversos botequins e restaurantes da Lagoa da Conceição, aí em Floripa. No mercado, conheci o Box 32, que acabou entrando no meu livro de luxo História do Comércio do Brasil – Iluminando a memória (1995) como um dos bares mais requintados de Floripa, inda que localizado dentro do Mercado e que ganhara, naquela época, um top de marketing. Hoje sei que sua cozinha, nestes 26 anos de existência, acumula prêmios de gastronomia e que o bar inda mantém seu padrão de excelência.
Os 3.000 exemplares desse livro, que escrevi por haver ganho uma concorrência entre profissionais convidados, editado pela CNC – Confederação Nacional do Comércio – foram distribuídos por ocasião das comemorações dos 50 anos daquela entidade. Como nunca foram para as livrarias, tempos depois começaram a aparecer em alguns sebos, onde hoje é encontrado, ida que a preço de luxo.
Dez anos depois, então dispensado de concorrência, fui chamado para escrever o livro dos 60 anos da entidade, cuja curiosidade é a foto da carteira de trabalho de Getúlio Vargas, onde está qualificado como presidente da república e cujo endereço era o Palácio do Catete. Getúlio, após assumir a presidência em outubro, na vitoriosa revolução de 1930, já no mês seguinte criou o Ministério do Trabalho.
Já que se fala de bar, de restaurante e de Mercado, em Porto Alegre, o Treviso, com uma entrada na rua e outra pelo Mercado local, era o restaurante mais popular da cidade, funcionando 24 horas dia e com uma cadeira pendurada numa das paredes com a identificação: “Aqui sentou Francisco Alves”. Nos dias, noites e madrugadas em que Chico Alves estava ou não estava, o Treviso dava assento desde as putas às damas da alta sociedade, estas, inclusive, às vezes, em trajes de gala.
Já contei aqui mesmo, em Coletiva.net, um tempo glorioso na história da whiskeria e restaurante Villarino, no Rio, mas não contei que sua memória artística/cultural foi, por ignorância crassa, vítima de um estupro.
O Villarino, quando citado hoje, é para registrar que foi lá que Vinicius de Moraes e Tom Jobim, com o Orfeu da Conceição deram início a uma riquíssima parceria que deu samba no mundo inteiro.
Aberto no início dos anos 1950, no Centro, em pouco tempo o Villarino foi se tornando um “abrigo” no fim do dia de artistas, músicos e intelectuais: Lá faziam rodízio, em uma grande mesa, figuras como Elizete Cardoso, Aracy de Almeida, Dolores Duran, Antonio Maria, Ary Barroso, Fernando Lobo, Paulo Mendes Campos, Mário Reis, Sérgio Porto, Vinicius de Moraes e os pintores Pancetti, Di Cavalcanti e Antonio Bandeira. Drummond, inclusive, às vezes, “assinava o ponto” lá e Pablo Neruda, quando por aqui, ia encontrar-se com seus amigos do Rio.
O estupro: a maioria desses “desconhecidos” desenhava ou autografava a parede do fundo do bar. Vítima da mais absoluta falta de cultura e sensibilidade, essa parede foi pintada por pincéis criminosos.
Inté.
Mario, obrigado por me brindar sempre, um grande abraço e que você e família tenham um ano pleno de saúde e felicidades. Edimar Rosa, Rio
Grato, Mario.
Li com atraso, por causa das tropelias de fim de ano. Mas seus versos antigos fazem bem à saúde. Abraços. Eng. José Carlos Pellegrino, São Paulo
Mario, como sempre um belo texto. Maravilha. Conta uma coisa prá mim, você conhece a Helena Chagas? Abraço.
Tião (Sebastião Roque), publicitário, São Paulo
Mário, vc me deixou com água na boca pelo CD de música popular. Abraços. Aderbal Moura, executivo, Rio …
ALÔ pauliscariobaiagaú!, Quis escrever no final do ano para desejar boas festas, um 2011 maravilhoso para vc e os seus, mas N problemas não deixaram. Além de uma sabotagem da coluna que me deixou de cadeira de rodas um mês, perdi dois grandissimos amigos irmãos. Sei que a vida volta e meia dá rasteiras… mas é difícil aceitar. Então, agora quase boa, mas ainda sem dirigir e com recomendações de repouso que não sei fazer, retorno ao mundo dos amigos, porque são eles quem dão sentido na vida, concordas? Como já sinto vc um amigo, embora virtual, digo atrasada que estou curtindo suas crônicas, quero ler seu livro anunciado, e assim que sair do forno me avisa, tá? Nunca é tarde para desejar felicidades, então eu as desejo aos borbotões! Abração. Angelina, jornalista, professora, escritora, Salvador
Mario, obrigado por teus refrigérios semanais que sigam por 2011 e por muito mais. Bom ano, Arlindo Fábio (Gòmes de Souza) sociólogo, Rio

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