Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar
Vinicius de Moraes
Nunca fui radialista e, pois, nunca tive que recusar jabá, a propina para colocar no ar determinada música.
Como chefe de reportagem da Última Hora eu mantinha uma cesta de lixo exclusiva para os releases de onde só saiam por interesse de um colega contato publicitário do jornal.
Enfim, como nunca fiz política, jamais tive de esconder do fisco o produto de uma boa maracutaia e quem me viu comendo pizza sabe que sou incapaz de eleger pizza para qualquer comemoração. Sou pouco mais requintado.
Portanto, o que vai aí é, tão somente, resultado de encantamento.
Kati Almeida Braga e Olivia Hime, depois de parcerias em shows musicais e gravações independentes, em 2001 partiram para a criação da Biscoito Fino, uma gravadora com perfil desvinculado do mercado do país. Ao entrar no ano de seu décimo aniversário, cerca de 500 CDs atestam o selo de qualidade do portfólio da maior gravadora de música brasileira, além de outras estrangeiras.
Kati Almeida Braga não conheço e seu pai, o ex e grande empresário Antonio Carlos de Almeida Braga – o Braguinha – conheci superficialmente. Amante e incentivador de muitos esportes estava em Imola quando do acidente fatal com Senna, a quem hospedava em sua quinta na cidade portuguesa de Sintra.
Quanto à Olivia Hime, estive no Outeiro da Glória, em seu casamento com Francis do qual, anos depois, tornou-se parceira prolífera. Eu trabalhava na Standard Propaganda da qual seu pai, Cícero Leuenroth, era o dono. Cícero, que morreu num desastre de avião quando ia visitar Olívia em Los Angeles, faz parte da história da publicidade brasileira da qual é um verdadeiro ícone. Desse casamento tenho uma grande foto com Cícero, recordação com a qual ele me gratificou.
Enquanto Kati é diretora geral da Biscoito Fino, Olivia responde pela sua direção artística. Olivia é música. Começou menina pelo acordeão, trocou pelo violão, estudou piano, flauta e teoria musical. Cantora sensível, compositora e produtora, a música já tem, com Olivia e Kati, dívida impagável.
No último Natal, entre muitos presentes, fui brindado pela jornalista e amiga Cláudia Amorim com o CD Clássicos MPB.
Eu, que na última crônica de 2010, iluminei a memória de Nelson Cavaquinho e fiz alusão a alguns clássicos da nossa música popular, encantei meus ouvidos com o próprio Nelson Cavaquinho interpretando Juízo Final, dele mesmo e do Élcio Soares. Ouvir Candeia – Preciso me encontrar – na voz de Cartola, levou-me ao sobrado da Rua da Carioca, 53, onde, em 1963, dona Zica e Cartola, com o Zicartola, escreveram capítulo importante da música popular carioca.
Muito tempo depois eu trouxe uma ala da Mangueira para o Condomínio onde moro, dancei com dona Zica e ganhei um diploma da Estação Primeira que não diz de que, o que mereço, pois nem eu sei direito quem sou.
Maysa, Paulinho da Viola, Edu Lobo e muitos outros compositores e intérpretes do Clássicos MPB mexeram e remexeram com velhas e prazerosas lembranças.
Chico Buarque, companheiro do Antonio’s onde Vinicius me chamava de Almeidinha estão nesse refinado trabalho da Biscoito Fino ao qual, sem jabá e sem release, fico devendo momentos de encantamento.
À Cláudia, renovo meu obrigado.
Inté.
Vitrine do leitor (Espaço para seus comentários)
Mário,
Seu Alumbramento remete-me ao Diário de uma Amnésia do seu excelente Almanaque do Camaleão. Contrariando Millôr: Mário, eis um escritor com estilo. Um abração e, mais uma vez, feliz 2011 – sinceramente prosaico. PS. E por falar em Almanaque, gostei do capítulo Caetano, a eterna. Não por vaidade ou soberba, por muuuita vaidade e muuuita soberba. Dormelindo (Luiz Fernando Di Vernieri) executivo, Campinas, SP.
Bom amanhecer deste 2011, meu irmão. Terminei de ler teu Almanaque do Camaleão e gostei muito. Fiz a fala da noite de Natal contando a história do “só como assim quando tem comida” e agradeci a Deus, pois todos os que ali estavam comiam todos os dias. Vou anexar algumas fotos de outros motivos que temos de estar sempre agradecendo a Deus, ou ao universo como querem alguns. Um abraço. Coelho (Eduardo Coelho de Almeida), empresário do ramo imobiliário, São Paulo.
Primeiro beijo a gente não esquece, né Mário? Também a minha primeira carta de amor, não me sai da cabeça. Nos idos de 70 terminei um namoro de ano que vinha fazendo água (hoje diríamos: dei um tempo…). Semanas depois, o viço e a testosterona dos 19 me fizeram repensar o quadro. Como reatar com a Lídia? Eis que na saleta de casa encontro uma revista Contigo de mamãe, e na primeira folheada dou de cara com a página de ‘cartas de amor’, tá lembrado???… Nem é preciso dizer que a trilogia papel, caneta, envelope entrou em ação e após quinze minutos eu, na confiança, carimbava meu passaporte. De fato, a missiva seguiu e bateu nas dez…, durante duas semanas. Uma noite, enroscado na poltrona com o broto, ouço: Beto sabe a tua cartinha? Adorei… Olha só, tá igualzinha a esta aqui; da revista… Pano rápido. Roberto de Jesus Castro, empresário, Rio.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial