Notícia recentemente divulgada informa que o Barcelona acaba de fechar contrato com a Qatar Foundation, por 30 milhões de euros anuais (cerca de R$ 69 milhões). O valor é recorde e mostra o tamanho do potencial do time catalão.
Apesar de esta negociação se dar na Europa, valoriza o mercado mundial de patrocínios e confirma o gigantesco potencial do marketing esportivo – no caso, do futebol – como veículo de comunicação, divulgador e fortalecedor de marcas.
A Qatar Foundation que me perdoe a ignorância, mas eu não os conhecia antes deste anúncio. Desta forma, se tornaram já conhecidos pelo mundo todo. A partir do momento em que sua logomarca estampar as camisetas, passarão a compor o cenário mundial das marcas de relevante importância internacional. Melhor ainda que se trata de uma instituição de caráter filantrópico. Dei uma navegada na página deles (http://www.qf.org.qa/output/page3.asp) e vi que trabalham com educação infantil, ciência, pesquisa e desenvolvimento comunitário.
Naturalmente, não servirá a Qatar Foundation exclusivamente estampar sua logomarca nas camisetas do clube. É necessário que façam as ações de ativação, de forma a informar o público sobre seus serviços e, principalmente, aproximar a comunidade de si.
Para que se faça um comparativo, o Flamengo tem um contrato (que está encerrando agora em 31 de dezembro e não será renovado) com a Batavo, no valor de R$ 24 milhões (sim, de reais) anuais. Assim, naturalmente há uma grande diferença entre os clubes brasileiros, o mercado de marketing esportivo brasileiro e o mercado europeu. Porém, temos condições de chegar lá.
Para chegarmos lá, basta que os clubes invistam fortemente na profissionalização de suas estruturas mercadológicas, balizem seus preços pelo mercado, desenvolvam inteligência de mercado, invistam em marca e, desta forma, tornem o ambiente futebolístico ainda mais atraente.
Estamos entrando, no Brasil, no terceiro estágio do marketing esportivo. No primeiro, início da década de 1980, as marcas descobriram o potencial do futebol como veículo e vitrine de marcas (na verdade, devemos relembrar os casos de sucesso do vôlei como Sul América e Pirelli); no segundo, no final da década de 1990, entraram grandes companhias no Brasil: ISL, Hicks, Octagon, entre outras. Este movimento, embora tenha tido um final mal-sucedido, foi revelador. Mostrou o grande interesse do mercado mundial no Brasil, no marketing esportivo. Por fim, estamos entrando no terceiro estágio: o da profissionalização. Isto porque os patrocinadores forçam os clubes cada vez mais a se profissionalizarem. Eles (patrocinadores) têm bastante critério ao investirem, pois o dinheiro vale cada vez mais. Além disso, a Copa 2014 e os Jogos Olímpicos 2016 no Rio de Janeiro estão dando um forte impulso à profissionalização. Portanto, acho que este é o caminho e que chegaremos lá.

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