No jogo entre Palmeiras e Fluminense, no último domingo, a torcida palmeirense ameaçava o seu time. Se ganhasse o jogo (o que favoreceria o seu rival, Corinthians), a cobra ia fumar. O bicho ia pegar. Ameaças de agressões, apedrejamento e bombas. O Palmeiras saiu na frente, com um belo gol. Porém, o Fluminense terminou ganhando o jogo por 2 a 1. Alívio para os atletas, dirigentes e para o público em geral.
Não vou entrar no mérito da fórmula do campeonato brasileiro, com pontos corridos, que poderia gerar distorções como esta. Há os que são contra e os que são a favor. Noutra coluna, quem sabe falo disto. O que quero abordar é o absurdo do comportamento dos torcedores no Brasil. O clube se torna então refém destes vândalos, que se travestem de torcedores para extravasar sua agressividade, para traficar (infelizmente sabemos que há sim esta praga dentre as torcidas) e covardemente agredirem outras pessoas? E não só o clube, mas os demais torcedores, os jogadores, as direções, todos reféns? Está na hora de dar um basta.
A grande maioria de torcedores que frequentam os estádios é formada por cidadãos de bem, gente de família, que quer ir ao jogo para ver o futebol, se divertir, ter um momento de lazer com a família (há cada vez mais mulheres e crianças nos estádios). E voltar para as suas casas, em tranquilidade. Ponto. Por quê então não começamos um movimento de valorização destas pessoas de paz, como eu e você? Vamos procurar banir ou até estigmatizar os marginais travestidos de torcedores. Vamos formar uma imensa torcida do bem, com as camisetas e cores dos clubes.
Há aí uma oportunidade que eu mesmo já apresentei a algumas empresas patrocinadoras: a de que sejam valorizados e exaltados aqueles cidadãos de bem, gente que quer ir ao estádio só pra se ver o jogo e se divertir. Há várias formas de se fazer isto. As empresas têm cada vez mais consciência de seu papel na sociedade, como indutoras do progresso, da civilidade, divulgadora de valores éticos. Pense na imagem da empresa que apóie movimentos como este. Qual seria sua opinião sobre uma empresa engajada na torcida-cidadã?
Além disto, há outro fator, igualmente importante: quanto mais organizado, pacífico, civilizado e estruturado o campeonato, seja ele qual for, mais valorizado será o produto jogo e, portanto, maior retorno para as empresas patrocinadoras.
Há não muito tempo, na década de 80, os Hooligans assombravam a Europa. No mais conhecido incidente (na final da Taça dos Campeões Europeus, de 1985), entre Liverpool e Juventus, houve um total de 38 mortos. Estamos falando de 25 anos atrás. Hoje, vejam o que está feito nos estádios europeus e no futebol europeu. Se foi possível reverter um quadro de tamanha desagregação na Europa, vamos tomar este exemplo e seguir em frente? Vamos terminar com este comportamento inaceitável, anacrônico e que traz prejuízos financeiros aos clubes, entidades desportivas, veículos de comunicação e patrocinadores?
Há bastante informação sobre os Hooligans na Wikipédia, leitura interessante, clicando aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hooligans.

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