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Ah, bruta flor do querer

Onde queres poder pelo poderE onde queres meu voto, sou menestrel,Onde queres teatro eu observoTua calva e a bolinha de papel,E onde queres milícia, …

Onde queres poder pelo poder

E onde queres meu voto, sou menestrel,

Onde queres teatro eu observo

Tua calva e a bolinha de papel,

E onde queres milícia, sou artista

“E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer

Ah! Bruta flor, bruta flor”

A primeira parte dos versos é de minha autoria, a última, entre aspas, é de Caetano, da canção “Quereres”, e foi nela que me inspirei para escrever a crônica desta semana.

Vou votar na Dilma, mas não gosto da atmosfera destas eleições. Acho mesmo que Dilma cresceu na campanha, no meio do furacão, mas não gosto da guerra dos marqueteiros. Neste momento, quando tudo se afunila em direção à passagem estreita por onde só passa um, muitas vezes faltam bom senso e inteligência e sobram dedo no olho, trancos e cotoveladas. Não há o exercício da sensibilidade, do pensar inteligente, para dizer a verdade comum que pode arrebatar as razões e arrastar os corações. Não apenas a promessa, gasta de ser só promessa, mas o modo de ver, se sentir e de perceber a realidade individual das pessoas, mesmo ela sendo coletiva.

A encenação do candidato, com olhar de mártir, abandona a caminhada porque foi atingido por… uma bolinha de papel, por um rolinho de fita crepe, que seja. Não, não faz sentido, é risível, é piegas, é patético. Somos todos otários?

No entanto, reduz a dimensão político-institucional do país demonstrar a ópera bufa por meio da figura do presidente da nação. Também não gosto dos frêmitos da picaretagem política partidária existente nos dois lados, uma vez que nas fileiras dos dois lados existem adesistas e vagabundos de última hora. Não gosto do mau gosto, do oportunismo de assalto. Esse é o caldo mau cheiroso que respinga para todos os lados.Viva Tropa de Elite 2 – viva o preto no branco, viva a câmera maravilhosa que filmou o lado do avesso de uma cultura podre, por dentro e por fora. Viva a verdade.

Agora, antes mais uma Dilma verde do que um Serra caindo de maduro, e de tão maduro, quase podre. Chico Buarque de Holanda não estaria tão enganado. Mas agora não faltam nazifascistoides para dizer que Chico não vale mais nada, que Chico é velho, é cego (como já disseram amiúde). Gente que tem ganas de pisotear num Chico Buarque de Holanda, pelo simples fato de ele optar por Dilma, é gente perigosa, armada com a razão do porrete.

“Onde queres revólver, sou coqueiro

E onde queres dinheiro, sou paixão

Onde queres descanso, sou desejo

E onde sou só desejo, queres não

E onde não queres nada, nada falta

E onde voas bem alto, eu sou o chão

E onde pisas o chão, minha alma salta

E ganha liberdade na amplidão”*

* verso de Caetano Veloso

Autor

Paulo Tiaraju

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