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O país dos Tiriricas

Há algum tempo, a quase totalidade de políticos japoneses apanhados em corrupção praticava o tradicional suicídio do país: o harakiri. Eu sempre sonhei que …

Há algum tempo, a quase totalidade de políticos japoneses apanhados em corrupção praticava o tradicional suicídio do país: o harakiri.

Eu sempre sonhei que esse higiênico costume moral fosse entronizado no Ocidente. Fosse eu feiticeiro, poderia ter certeza que o feitiço virou-se contra mim.

Quando o interventor e depois governador de São Paulo, Adhemar de Barros, começou a aceitar como slogan de campanhas “Rouba mas faz”, comecei a entender que nascera em país errado.

Meus leitores foram avisados, há tempos, que não escrevo mais sobre política para não baixar o nível da coluna. A de hoje não é exceção, pois não trata de política, mas de caráter, ou melhor, de falta de caráter.

Semana passada, recebi um e-mail, vindo de São Paulo e não era do Tiririca. Era do ex-deputado federal João Paulo Cunha, agora reeleito para o mesmo cargo ao qual renunciou quando descoberto ser um dos mensaleiros.

Trecho inicial do e-mail: “Quero agradecer a grande votação que obtive nestas eleições, sendo o deputado federal mais votado do PT em São Paulo. Recebo estes 255.497 votos de confiança em meu mandato com alegria, serenidade e humildade. Fiz uma campanha aberta ao diálogo direto com os cidadãos, sem medo de debater todos os temas da agenda política nacional…”

Engana-se quem pensar que ele renunciou por ser corrupto, coisa que ele mesmo – indiretamente – confessou ao renunciar a seu mandato. Ele renunciou para não ser cassado e perder direitos políticos por algum tempo. Renunciou e nem foi expulso do partido. É preciso ter muita ausência de caráter para, depois de renunciar por corrupção, voltar como candidato. Daí aconteceu o mais sórdido do episódio: receber os milhares de votos que recebeu. O cara foi aplaudido pelos votos de seus devotos! Quem são esses eleitores? Dá-me náusea pensar que nasci e vivo entre eles. Quando pego um avião para São Paulo, um desses eleitores pode estar sentado na poltrona ao meu lado? O saquinho para vomitar está na minha frente, mas como saber quem está ao lado?

Algumas votações, como a do Tiririca, devem carregar um imenso número de votos de gente como eu que não se ilude e nem quer ser parte de um mínimo de esperança.

Há tantos palhaços em nosso picadeiro que também existe uma multidão que não quer ser confundida.

Recebi de João Paulo Cunha:

“Obrigado, São Paulo…:

… mandato democrático e popular que procuro representar com dignidade…”

Respondi:

“VOCÊ É AQUELE DEPUTADO QUE ACUSADO DE MENSALEIRO

COMPROVOU A CORRUPÇÃO RENUNCIANDO OU É UM HOMÔNIMO?

FALA SÉRIO, CARA!

Se é você mesmo, não comprometa mais minha caixa de e-mails.

Mario de  Almeida, Rio”

Como faz falta o harakiri!

Inté

Vitrine

Não há comentários sobre a minha última coluna, mas os comentários sobre a minha resposta para o deputado eleito – João Paulo Cunha – por não ser da coluna, não posso publicar. São tantos que eu não teria tempo para pedir autorização, um a um, para publicação. É pena.

Autor

Mario de Almeida

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