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Hoje quase não deu

Hoje o samba saiu procurando você Quem te viu, quem te vê Chico Buarque Rio de Janeiro, chuva, a manhã está plúmbea como, em …

Hoje o samba saiu procurando você

Quem te viu, quem te vê

Chico Buarque

Rio de Janeiro, chuva, a manhã está plúmbea como, em dia igual, registrou Tom Jobim.

Computador à frente, o Word aguarda o digitador.

Nada.

Inércia. Preguiça inercial.

Hoje ou amanhã esta coluna tem que ser escrita.

“Ou”. Eis a rara possibilidade de curtir uma boa preguiça.

Espreguiçar e curtir.

Tentativa mental de eleger um dos livros que aguardam leitura.

Os ouvidos já batucam: 

O meu samba se marcava na cadência dos seus passos

O meu sono se embalava no carinho dos seus braços

Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão

Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão

Hoje o samba saiu procurando você

Quem te viu, quem te vê…

O samba do Chico remexe lembranças do muito antes.

Em Roma, chegando de viagem e catando no bolso as liras da propina (honesta) do rapaz das bagagens, o rádio do apartamento, depois dos últimos acordes do Samba de uma nota só, do Tom e do Newton Mendonça, emendou com Apesar de você, do Chico. (Impossível ter saudades da ditadura que assassinava gente no Brasil, impossível não ter saudades do Antonio’s, do Tom, do Chico, do Vinicius, do Toquinho…)

Hoje só o samba saiu, a preguiça não deixa a coluna sair.

Miracolo!

Christina Lyra, a amiga de fé, me encaminha um e-mail com texto atribuído a João Ubaldo Ribeiro e que parece ser dele mesmo.

As eleições serão domingo e minha coluna só sai às segundas-feiras. Mesmo assim, meu compromisso comigo mesmo de não baixar o nível escrevendo sobre política permanece. Leia este trecho do João Ubaldo onde um juiz se comporta de forma pouco ajuizada, parecendo mais um evento das nossas páginas políticas. Escreveu o baiano:

… Minha opinião sobre o Judiciário é que o número de juízes desidiosos ou venais é imenso, o povo não tem confiança na Justiça e ela própria muitas vezes parece não alimentar respeito por si mesmo. Não consigo imaginar um juiz da Suprema Corte americana, que inspirou a criação do nosso Supremo Tribunal Federal, distribuindo entrevistinhas a torto e a direito. Tenho certeza de que estaria ameaçado de impeachment o magistrado da Suprema Corte que fosse cumprimentar um advogado de defesa que ganhou uma causa na qual esse mesmo juiz atuou. A Suprema Corte é sagrada, como devia ser o nosso Supremo. Mas, ainda na minha modesta opinião, o Supremo se tem abastardado em inúmeras ocasiões e nunca sua imagem foi tão vulgar e deslustrada…”*

No próximo dia 20, a Nação envergonhada vai descomemorar que há cinco anos o então ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Mário Velloso mandou soltar Paulo Salim Maluf e o filho Flávio, alegando piedade.

Como sou menos piedoso, 10 dias depois publiquei aqui uma crônica cuja ilustração foi essa:

Agradeço à Chris, ao João Ubaldo e a mim mesmo por haver cumprido o  “não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”. Para mim mesmo, completei: “O amanhã é apenas uma esperança”.

Inté.

*Serviço: quem quiser ler o artigo inteiro do João Ubaldo, copie umas palavras do trecho aqui publicado e coloque no Google que ele vem inteirinho.

Dica: recebi o texto em slides, coisa que odeio quando o original é decapitado e parece coisa de gago. Copiei quatro palavras e me mandei para o Google.

 

Vitrine (sem comentários)

Em relação à crônica sobre Mafalda e sua escultura num banco na Calle Chile, em Buenos Aires, recebi este e-mail do José Antonio Moraes de Oliveira, companheiro aqui de Coletiva e antigo amigo gaúcho, o Killler dos velhos tempos: Mario, viejo paisano, estive há pouco em Buenos Aires e fui até a Calle Chile, dar um saludo a Mafalda. Ela manda besos e diz que gostou muito de tua crônica… Moraes, Porto Alegre.

Autor

Mario de Almeida

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