Todos estão falando dos benefícios da Copa 2014 para o Brasil. Acredito que vários deles sejam de fato inegáveis, como os investimentos em infraestrutura, promoção da imagem do país no exterior, chegada de turistas e profissionais, geração de receitas, geração de novos negócios, etc.
Tudo certo. Porém, o que acho que estamos falando pouco é na imagem que temos que mostrar do Brasil, do futebol, da administração do futebol, dos jogadores, tudo isto para o exterior. É o momento da verdade, como se diz. Não basta nos preocuparmos em entregar estádios modernos, infraestrutura competente, cumprir prazos. Isto é fundamental, sem dúvida alguma. Indispensável. Porém, não é suficiente.
O momento de uma Copa do Mundo em um país é o da abertura deste país para o mundo. Momento em que quase todos os olhos se voltam para ele. Assim sendo, deveríamos estar bastante preocupados com que os atores da cena de uma Copa do Mundo se preparem para esta megaexposição. Estou falando de jogadores, dirigentes de clubes, federações e confederações, ministros e secretários (diretamente ligados ao tema), jornalistas e analistas. Todos devem estar além de preparados, totalmente conscientes da enorme importância deste momento que já iniciou e que tende a aumentar gradativamente com a proximidade da Copa de 2014. Assim como estamos preocupados com o receptivo aos turistas, deveríamos estar tão, ou mais, preocupados com a imagem dos envolvidos com futebol.
Não estamos falando apenas da imagem do Brasil para o exterior. Estamos falando, mais do que isto, da imagem do Futebol do Brasil (assim mesmo, com letras maiúsculas) para o exterior. Não podemos subestimar a importância desta abertura para o mundo. Como se diz, há uma única oportunidade de se causar uma primeira boa impressão.
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Como eu havia mencionado na coluna da semana passada, a movimentação das grandes empresas para o momento do marketing esportivo já começou. Duas delas fizeram contato comigo. Uma, para uma entrada no marketing esportivo. A outra, para ampliar presença de marca e investimentos no Sul. Ambas, apostando pesado na década do marketing esportivo no Brasil. E nós, no Rio Grande do Sul, temos uma qualidade clubística (títulos, estádios, torcida), inquestionável, o que faz dos gaúchos um mercado altamente atrativo e estratégico para as grandes corporações.
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A dica desta semana é o livro Soccernomics, cuja editora Tinta Negra graciosamente me enviou. Os autores são o jornalista esportivo, Simon Kuper, e o economista, Stefan Szymanski. A idéia é uma análise inusitada do mundo do futebol e de seus negócios, de forma contundente e crítica, muitas vezes. Segue a linha do Freakonomics, livro que gerou esta abordagem. Já é um livro sensação em vários países e tem tudo para ser sensação aqui no Brasil também. Segue uma linha polêmica, sem dúvida. Alguns tópicos abordados:
– Por que os Estados Unidos não dominam o futebol mundial?
– Qual o melhor país do mundo no futebol?
– Qual tem os torcedores mais apaixonados?
– Qual o impacto do futebol no índice dos suicídios?
– Qual esporte irá dominar a Terra? A liga de futebol americano(NFL) ou a Premier League?
– Por que as pessoas que mandam no futebol são tão idiotas?

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