Um coronel de estância preparava as malas para viajar quando foi surpreendido por seu capataz:
-Coronel, tem um tempão que tô de olho no seu compadre.
-O que é que tem?
-Não sei, tá nuns arreganhos com Dona Catita (esposa do coronel), este é o “ermão” deste – disse puxando a pálpebra inferior de um dos olhos.
-A la putcha, arreparô se tão mais faceros com a minha viagem?
-Munto, coronel, faceritos como pinto no lixo.
-Faça assim, me esconda estas malas e diga que viajei, de vereda, cosa de negócio urgente.
Dito isso e passado algum tempo, o coronel se escondeu dentro do armário do quarto do casal. Meia hora depois, o seu compadre e a Dona Catita entram resfolegados no quarto. O coronel sente o sangue gelar, mas se mantém imóvel, e, por alguma razão, se queda mais crítico do que passional. O compadre e Dona Catita vão tirando a roupa, estabanados, como se quisessem recuperar um tempo perdido.
Quando Dona Catita soltou o sutiã, seus seios, livres do contraforte, caem até a altura de sua cintura, com ondulações notáveis das camadas de gordura subcutânea. Logo ela começa a se desembaraçar das calças, requebrando os quadris para facilitar a operação, e, num ímpeto irrefreável, puxa os calções íntimos para baixo. Eis que enormes culotes despencam por cima das pernuchas, cobertas por uma crosta rugosa de celulites severas.
No armário, o coronel tapa a boca e o nariz, com as mãos meio espalmadas, como se fosse um gesto de prece. Logo as mãos escorregam para o rosto, agora borrifado de suor. Só então ele comenta inaudível:
-Mas credo, que vergonha do compadre.
A arrogância e o narcisismo deste Dom Dadeus Grings, arcebispo da Catedral Metropolitana de Porto Alegre, não ficam longe deste tipo de constrangimento visceral. São daquelas coisas que fazem com que a perplexidade descambe para o estupor, a paralisia do assombro. Quando alguém da autoridade e exposição deste arcebispo declara para o jornal de maior circulação do Estado que “pedofilia não é privilégio da Igreja”, pessoas com uma gota que seja de informação e bom senso detêm o direito de sentir repulsa por este velhaco.
De modo que o arcebispo de Porto Alegre declarou para ZH que “pedofilia não é privilégio da Igreja”. Ele quis dizer, portanto, que este é privilégio de outras castas também. Mas é um louco? Até os coroinhas sabem que privilégio significa vantagem que se concede a alguém, com exclusão de outrem (Folha/Aurélio) e contra o direito comum. É uma permissão especial, uma prerrogativa com imunidade. Este Dom Dadeus professa algum pacto com o diabo? Talvez não, acho que nem o diabo quer acordos com este rascunho de ser humano. Este arcebispo só o que faz é tentar acobertar a disseminada perversão sexual dos padres, com generosos eufemismos. Ele insiste em dizer que a pedofilia, praticada nas sacristias e nos seminários, é pecado, e que a Igreja já pediu perdão. É crime, arcebispo ruvinhoso, é crime previsto nas leis brasileiras, dá cadeia, arcebispo corporativo. O pedido de perdão não os livra dos tribunais.
Salta aos olhos sua intenção de suavizar a gravidade dos fatos, e a impressão que fica é que o arcebispo Dadeus (é tão humilde que incluiu Deus em seu nome religioso) é pactuante e parcializado com as aberrações praticadas pelos padres. Quando afirma que “toda a sociedade é pedófila”, médicos, advogados e outros setores da sociedade, e que “pedofilia é uma tendência espontânea nos dias de hoje”, sua intenção descarada é dizer que, neste caso, a pedofilia dos padres não é tão grave assim, já que está todo mundo louco, oba.
Os padres infames ficam atenuados pelo “fator cultural”, supõe o ardiloso arcebispo, sem nenhuma vergonha na santa cara de pau.
Na ânsia de ser o advogado do diabo, ele deixou tantos atos falhos (reveladores do seu “profissionalismo” e má intenção), tantas declarações canhestras, na defesa das práticas hediondas dos padres, que, quando suas declarações repercutirem novamente na imprensa nacional e mundial, só nos cabe dizer: “Mas credo, que vergonha deste arcebispo calamitoso, que vergonha deste cabeça de bagre.

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