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Aceitando um convite

Mario:Churrascaria Copacabana… Bons almoços nossos lá, com a bela (em todos os sentidos) Christina Lyra! Desde 2003, sou um copacabanense. Gosto daqui. Venha dar …

Mario:

Churrascaria Copacabana… Bons almoços nossos lá, com a bela (em todos os sentidos) Christina Lyra! Desde 2003, sou um copacabanense. Gosto daqui. Venha dar uma passeada aqui pelo Posto 2!

Abração, Gustavo.

Esta crônica começa pelo fim, ou seja, com o comentário do amigo e ex-companheiro de Fundação Roberto Marinho, Gustavo Borja Lopes, sobre meu último passeio pelo Posto 6, em Copa.

Era um sábado de 1977, um almoço em restaurante do Leblon estava ruim, a companheira comparou com a nossa relação e resolvemos não deixar piorar. Ela ajudou-me a fazer duas malas e deixou-me no Hotel Savoy, entre os postos 4 e 5.

E daí começou um rodízio de hotéis, entre os quais dois na Rua República do Peru, Posto 2, rua onde eu almoçara algumas vezes, na Churrascaria Jardim.

Salvou-me desse périplo hoteleiro a amiga de fé, Lia Moreira, que na Standard Propaganda já me ajudara a carregar o andor, no caso a conta da Shell, cujo grupo de atendimento eu chefiava.

Lia já estava na Rede Globo quando, naqueles 1977, eu implantei a Agência da Casa, possuía um bom apartamento que estava vazio na Rua Constante Ramos, Posto 4, abandonei os hotéis, juntei-me com a Aurea, ela nos deu Rachel e lá ficamos até 1979, quando abandonamos a civilização e sentamos praça no “fim do mundo”, como meus colegas e amigos referiam-se à Barra da Tijuca.

Pessoalmente, minha relação com o Posto 2 e arredores, na volta ao Rio em 1965, além de um apartamento que comprei – apenas especulação imobiliária – na Otaviano Hudson, hoje boca de metrô – limitava-se a incursões esporádicas, pois o Beco das Garrafas, travessa da Rua Duvivier, um dos palcos iniciais da Bossa Nova e da música instrumental brasileira, aconteceu nos anos em que quase me torno um gaúcho de verdade, como o austríaco escultor Xico Stockinger, o paulista pintor Ado Malagoli, o mineiro das letras Guilhermino César e a catarinense jornalista Ivette Brandalise. A ditadura me obrigou a fugir dos pagos.

Nos anos de 1960, assisti a shows de Vinicius de Morais e Sérgio Porto na boate Zunzum e, num deles, do Sérgio Porto, um bebum não parava quieto, sentava, levantava e a flor dos Ponte Preta não perdoou:

–O distinto aí parece que ganhou uma calça de Nycron “senta-levanta”.

O “Senta-levanta” era uma badalada campanha de propaganda de uma calça da Sudantex.

Incursões esporádicas na madrugada na Prado Júnior eram para o sanduíche do Cervantes ou pratos nos diversos balcões do Beco da Fome, no térreo do edifício da esquina com Ministro Viveiros de Castro, edifício conhecido como “Joga a chave, meu bem”, ninho de putas da Zona Sul.

O astro daquele espaço fica mesmo na Atlântica, Posto 2 e meio +-, o Hotel Copacabana Palace, projeto do arquiteto francês Joseph Gire (1872-1933). Gire teve projetos executados no seu país, na Alemanha, na Argentina e no Brasil, sendo um nome tão importante quanto esquecido da história urbana do Rio.

Foi o responsável – com Armando da Silva Telles – pelo projeto do palacete construído em 1913 como residência da família Guinle e que, tempos depois, transformou-se no Palácio Laranjeiras, abrigou Juscelino presidente e, há décadas, é o palácio do governo estadual.

Antes do Copacabana, Gire já projetara o Hotel Glória, inaugurado em 1922 que, entre uma miscelânea de hóspedes relativamente famosos, abrigou, em maio de 1925, Albert Einstein. O Copacabana, inclusive, marca o início do ciclo da construção de edifícios de apartamentos para a chamada classe A.

Gire, que deu o pontapé inicial à ocupação de Copacabana e verticalização do Rio,subiu aos céus na Praça Mauá em 1930, na parceria com Elisário Cunha Bahiana, com a inauguração do edifício do jornal A Noite, 22 andares em 90 metros de altura que corresponderiam, hoje, a 30 andares. Apregoado como o maior arranha-céu da América do Sul, o título durou pouco.

O comendador italiano Giuseppe Martinelli, imigrante pobre que se tornou grande armador em Santos, iniciou, em 1922, as obras do edifício com seu nome, em propriedade sua, na Avenida São João, imensa área que vai da Rua São Bento à Rua Libero Badaró, projeto do arquiteto húngaro Willian Fillinger com 12 andares. Inaugurado em 1929, seus 12 andares ganharam acréscimo: em 1934, com 30 andares nos seus 130 metros de altura, foi saudado como o maior arranha-céu da América Latina.

Peguemos o voo de volta da Ponte Aérea para o Rio e, sobrevoando o arquipélago de Paquetá, a 300 metros da Ilha com o mesmo nome, aparece a Ilha de Brocoió, cujo palácio do Governo do Estado está há bastante tempo desaparecido do noticiário desta cidade à qual pertence.

Na Ilha de Brocoió, antiga propriedade de Otávio Guinle, por ele urbanizada, foi construído um palacete, projeto do prolífico Joseph Gire. Adquirida em 1944 pela Prefeitura do então Distrito Federal, atualmente é de propriedade do Estado do Rio de Janeiro, encontrando-se tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC).

O hoje Palácio de Brocoió é utilizado como residência alternativa pelo Governador do Estado.

Em livro de sua autoria, o arquiteto e urbanista Lúcio Costa registra Gire na história da arquitetura do Rio de Janeiro e sua importância para a mesma.

Eu, que gosto de memórias como registro de tempos vividos e não como exercício de carpir saudades, registro que se fosse para ter saudades daquele espaço – o Posto 2 – elas seriam doces, doces saudades dos doces gelados da loja da Gerbô, na Nossa Senhora de Copacabana , doces que – tenho certeza – existiram para deixar saudades.

Palácio do Brocoió

Palácio de Brocoió

Inté.

Vitrine com foto (referente à última crônica)

Grande Mário, adorei suas reminiscências. Morei na Sá Ferreira e na Xavier da Silveira na década de 1970 e parte da de 1960. Frequentei muitos desses lugares, palcos de suas lembranças. Ali também tive meus amores e vida intensa. Sua caminhada de volta ao passado me fez lembrar os melhores anos de minha vida de solteiro passados em Copacabana, essa parte do Rio tão encantadora, cheia de boemia, com uma magia tão especial e cantada em prosa e versos inesquecíveis por nossos mais expressivos poetas e compositores modernos. Obrigado, Mário, por ter me trazido de volta a um tempo que me foi tão caro. J. Antônio, seu vizinho do Canova, Novo Leblon, Rio

Mário, quantas lembranças, quantas histórias. Publicitário ousado e irreverente, como raramente se encontra hoje em dia. A sacada da Socila é uma prova disso. Devia servir de inspiração (e reflexão) aos zumbis da infoera, reféns do escudo virtual que, ao invés de aproximar, os isola do mundo real. Criativo até no cavalheiresco ato do champagne, que deve ter encantado a querida tia Aurea. Parabéns e um forte abraço! Carlos Eduardo Cunha, professor de Comunicação, Florianópolis

Meu querido Mario, que delícia de crônica. E que bom ler o nome do Welles. Por onde anda ele? Há muito que não tenho notícias. Um beijo. Isnard, jornalista e publicitário, Rio

Mario, eu não conto nenhum dos dias que meus pés não estiveram em Copacabana. Minha relação com o bairro é de amor extremado. Copacabana é o resumo do Rio, a mistura que resume e traduz o Brasil. Adorei o texto. Abração, GG (Guto Graça), publicitário, Rio

Mário, sua leitura de Copa foi um ‘refresh’ nos meus 25 anos de escritório/praia. Só faltou notar a velha academia de musculação sobre o cartório da Djalma Ulrich, que, pelo tempo de bairro, pode ter sido inaugurada por Hércules, em pessoa. Sobre a Churrascaria Copacabana, na minha opinião dona da melhor (e maior) picanha fatiada do bairro no século passado, virou restaurante self-service (PORKILO) com churrasco e abriga atualmente uma franquia FRONTERA, com rodízio de pizza chinfrim todo final de tarde, ou seja, regrediu em nome da modernidade.

Ainda nos arredores, a última grande perda foi a demolição da boate Help, dando lugar a um monstrengo (Museu da Imagem e do Som), cujo projeto, na minha opinião (de contador), agride toda harmonia do conjunto arquitetônico ao redor. Fora o fato que perdi minha vaga cativa no subsolo do restaurante, cujo ‘acerto por fora’ com o porteiro por perto de vinte anos, me fez considerar, como pseudolocatário-cliente-usuário, a possibilidade de requerer parcela da verba de desapropriação.

No mais, Copa sempre será Copa. Com seu charme, sua elegância, suas putas. EPA! EPA! EPA!!!….Roberto de Jesus Castro, empresário, Rio

Avenida Atlantica

Avenida Atlântica com Djalma Ulrich, ex-boate Help, futuro Museu da Imagem e do Som (fachada projetada)

Autor

Mario de Almeida

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