O vulcão da Islândia está cuspindo fuligem de novo. De novo problemas em alguns aeroportos da Europa, desta vez em bem menor número. Também, em função da atividade do vulcão (que não vou nem tentar pronunciar o nome), está havendo um derretimento das geleiras próximas.
Vulcões servem sempre de metáfora, seja para o cinema e literatura, seja para a vida real. São forças extraordinárias que ficam reprimidas durante muito tempo. Porém, quando vêm à tona, vêm com tudo, destruindo o que estiver pela frente. São forças incontroláveis. Podem ficar inativos durante anos, décadas. Mas podem, de repente, voltar à atividade e com tudo. O que, aliás, rende outro paralelo. Nós, seres humanos, podemos funcionar como vulcões: podemos ficar por muitos anos quase em inatividade. Quietos, reclusos ou, mais ainda, reprimindo nossos verdadeiros sentimentos. A intensidade deles. Neste caso, quando há uma erupção de nossos vulcões interiores, sai da frente.
Como Sigmund Freud e outros e talentosos estudiosos da mente humana constataram, nossos vulcões psicológicos têm beleza e destruição, tudo junto. A beleza de ver uma força da natureza em ação, de forma devastadora e impressionante, existe e é fantástica. Ficamos perplexos(no bom sentido), apreciando uma manifestação de força tão incrível. Porém, esta força toda pode se tornar destruidora. Uma erupção vulcânica é algo lindo de ser visto. Pela TV. Ao vivo, me inclua fora desta.
Nós, motoristas, nos portamos como pequenos vulcões motorizados, muitas vezes. É sempre impressionante, por mais que aconteça, vermos uma manifestação de um vulcão-motorista quando se sente prejudicado. Embora, nestes casos, o que ocorra seja um vulcão de má educação. A lava vulcânica de motoristas ensandencidos é proveniente do derretimento de seus cérebros.
Sem ingenuidade, vamos tentar transformar as erupções cada vez mais em explosões de civilidade. Explosões de criatividade. De energia e força transformadoras. Não vamos ficar só na fuligem.

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