Colunas

Brazil, a pedido, PQP!

Mestres, livros e a própria vida me iluminaram, mas só vale o que divido. (M.A.)   Maristela Bairros, querida amiga aqui de Coletiva, escreveu …

Mestres, livros e a própria vida me iluminaram, mas só vale o que divido. (M.A.)

 

Maristela Bairros, querida amiga aqui de Coletiva, escreveu ao pé da última crônica, a do PQP: “Quero ler mais PQP, Mario! Mãos à obra. bj”.

Minha grande amiga, a psicóloga e tradutora Vera Veríssimo, comentou que o “contraponto” entre fatos reais e minha versão era muito elucidativo, mas pediu para não comparecer na Vitrine, com medo de parecer matéria paga.

Sempre que possível, não nego nada à ala feminina das minhas amizades. Quem, como eu, já escreveu “os machistas que me perdoem, mas sou feminista”, tem que ser coerente. “Mãos à obra”, pois.

Quem chegou atrasado e não leu a crônica anterior, encontra-a em Coletiva.net, onde conto que Bittencourt é um exdirigente do PCdoB, preso, torturado que, no exílio, sonha sempre com personagens ou fatos do poder golpista. Primeiro os fatos, em seguida os sonhos, ou vice-versa.

“Bittencourt não estava entendendo nada. Desde que saíra de casa, há mais de 30 minutos, não encontrara viva alma. Não era domingo, não era feriado, mas tudo fechado! Fechado e quieto, tão quieto que se ouvia o silêncio. Bittencourt ligou o rádio do carro e o silêncio prosseguia. Absoluto. Passou de carro pela velha estação da Leopoldina, entrou na Avenida Brasil, nada. Começou a mudar o dial do rádio e nada. Quando passava pelo Cemitério do Caju, não suportando mais o silêncio, apertou a buzina com força. O som saiu violento, agredindo os ouvidos e – milagre – o eco fez-se ouvir. Bittencourt quando viu a placa ‘Aeroporto’, entrou automaticamente para a direita. Aos poucos, começou a ver carros e mais carros parados, abandonados. Chegou um momento em que Bittencourt não podia mais prosseguir. Enfiou o carro num imenso gramado e saiu. Começou a andar para o aeroporto, observando que alguns carros tinham um adesivo a cores. Antes de entrar no imenso saguão, Bittencourt leu um dos adesivos: ‘Brasil. Ame-o ou deixe-o’. Havia, numa coluna, um imenso cartaz: ‘O último a sair apaga as luzes’. Bittencourt olhou o relógio – 23 horas e 59 minutos. Apagou as luzes, uma a uma e vagarosamente, sem nenhuma pressa, dirigiu-se para a pista, onde enxergou dezenas e dezenas de aeronaves”.

Fatos: Face à impopularidade cada vez maior da ditadura, o Goebbels* tupiniquim mandou fazer adesivos com a frase “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A reação popular não demorou e começaram a surgir em muros e tapumes a mesma frase com uma recomendação: “O último a sair apaga as luzes”.

Ame-o ou Deixe-o

João Paulo Moreira Burnier, acusado de participar das torturas, desaparecimento e morte do político Rubens Paiva, responsável também pela tortura e morte do estudante Stuart Angel Jones, foi denunciado pelo capitão-aviador Sérgio Miranda de Carvalho, o Sérgio Macaco, pelo plano do Pára-SAR, no qual, supostamente, um grupo de elite da Aeronáutica explodiria o gasômetro no Rio de Janeiro, acusando opositores do regime.

Em carta ao ditador Geisel, o Brigadeiro Eduardo Gomes traçou o retrato dele: “um insano mental inspirado por instintos perversos e sanguinários, sob o pretexto de proteger o Brasil do perigo comunista.”

Sua família jamais divulgou onde o mesmo foi enterrado.

“Bittencourt viu o avião passar com uma faixa com anúncio de bronzeador e viu o Burnier descendo de paraquedas sobre o Gasômetro, com um bastão de dinamite enfiado no anus. Não conseguia parar de rir ao lembrar-se que o capitão Sérgio Macaco fora preso em flagrante mijando na perna do Burnier. Sérgio Macaco ficara muito zangado, pois também queria obrar no quepe do brigadeiro mas, ao sair do gabinete dele esforçou-se e soltou um pum.  Fedor que Burnier sempre carregou nariz a dentro, até às próprias vísceras. E ganhou o apelido de Mau Hálito.”

(Detesto eufemismos, mas acho que cada veículo tem o seu vocabulário. Onde aí estão anus, obrar e pum, adivinhe o que estava no original).

Inté.

*Goebbels, ministro da Propaganda do nazismo.

 

Leitores na vitrine (Comentários sobre a crônica anterior)

Mário, boa crônica! O que mais gostei foi o final do sonho, com Médici, Saldanha e formiguinhas! Abração. Gustavo Borja Lopes, Rio.

Gostei muito. O bate-rebate entre as feras do Saldanha – ou as formiguinhas do Zagallo – foi sensacional. E o repórter da Rádio Globo que cobria (de loas) o Flamengo, o Kleber Leite, acabou virando cartola do clube. São ecos do Brasil-zil-zil-zil. Abração. Marcelo Torres, Salvador, BA.

Querido Marião, show de memória e de espírito crítico, abração. Monte. José Monserrat, Brasília, DF.

Autor

Mario de Almeida

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.