Ora, barriga de cerveja,
isso é uma grande injustiça.
Cerveja não dá barriga,
portanto, gosto de cerveja
e fabricar rimas.
A rima nasce da
rixa da cisma
com a poesia.
Mas para mim
é quase sina.
Escreveu, não leu,
pimba, aí vem rima.
Culpa de uma
tia, poetisa, a tia Lina.
Cerveja não dá barriga,
E o que mais me intriga
numa fila de formiga
é a educação:
em vez do encontrão
na contramão,
o que seria esperado,
tem comprimentos,
e beijos, um de cada lado.
Fila de gente
dá briga é até sopapo.
Cerveja não dá barriga
e o que mais me intriga
é esta mania da mulher
meter a colher,
justamente quando
a gente, ainda que diga não,
está mais perdido
que cachorro em procissão.
Eu sempre digo,
que faro fino
é o faro feminino.
Barriga atrapalha o sexo,
porque o côncavo e o convexo
ficam sem nexo.
Mesmo o barrigudo por baixo,
assim meio capacho, lhe
apertam o plexo, quase à
asfixia. A Maria, uma amiga,
quis livrar a barriga do Mário,
que troço mais sem clima.
Lembra do Mário?
Pois é, a Maria fez um estrago
no coitado. Resultado:o Mario foi se
esconder atrás do armário.
E aí vem ela, a rima
que me inspira:
cerveja não dá barriga.
Por que isso aqui
não é poesia, é só esbanjo
de rima.
Cerveja não dá barriga
quando está na lata,
ou está engarrafada,
tem gente que não pensa.
Não dá barriga
quando o copo vira na mesa.
Forcei a rima? Queria o que?
Uma obra prima?
Vá ver se estou na esquina,
vê se eu tenho
cara de pato.
No bar da esquina
que eu faço rima
no guardanapo,
(que bom, rimou com pato.)
E tomo cerveja,
o que é bom pra
criar barriga.
Se quiser sorrir, sorria.
Senão, vá ver se eu
estou embaixo da pia.
Quem foi que disse
que esta rima não cabia?

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