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Pieguice despudorada

Detalhe do “Livro-Colagem“ com referências significativas de minha minha vida, exceto o nascimento – Onde você nasceu? – Brasil. – Bem feito! O Globo, …

Detalhe do “Livro-Colagem“ com referências

significativas de minha minha vida,

exceto o nascimento

– Onde você nasceu?

– Brasil.

– Bem feito!

O Globo, 26.12.2009:

“Assaltantes matam lutador de jiu-jítsu e ferem turista que viajavam para Paraty; Menino das agulhas pode sair hoje da UTI; Assaltantes fazem 15 reféns na noite de Natal em SP; Exército destruiu arquivos de Jonas; Executivo e Judiciário fecham o ano com 31 mil novos cargos; Pivô do mensalão do DEM acusa promotora do DF; Carro oficial obstrui calçada no Leblon; Vereador arranca parte de orelha de colega em AL; Mulher é baleada no Centro; Tráfico ameaça moradores favoráveis à UPP; Bandidos assaltam jogador…”.

Chega? Não.

Primeira página, chamada para o caderno Prosa & Verso:

“Críticos elegem os melhores livros de ficção e poesia da década”.

Já escrevi aqui sobre esse erro-mania de parte da imprensa brasileira de noticiar década de nove anos, inda que no último final de década, por ser 2000, não deu para inventar que o século 21 começava no último ano do século 20.

Será que boa parte da imprensa não se dá conta que no nosso calendário – o gregoriano – não existe o Ano Zero? O Ano 1 AC é o anterior ao nascimento do Cristo e o Ano 1 DC é o ano de seu nascimento, é óbvio. Ano com final Zero só pode ser o último de qualquer década.

Chega? Chega. Para quem pensou que este velho entrou no último ano da primeira década do século 21 com o pé esquerdo sem ser canhoto, uma sonora gargalhada. Pena que Coletiva não se interesse por edições sonoras.

A felicidade habita este recanto da minha Aldeia, faceira como ela só. O velho é brasileiro sim, um ilhéu no centro de um arquipélago de amor, de fraternidade e de amizade. Tudo gente que faz questão de ser gente.

Recebi e-mails prenhes de carinho, até de gente que inda nem conheço in persona, como Maristela Bairros e Márcia Fernanda Peçanha Martins. Sou um brasileiro feliz.

Essas palavras, escritas neste dia 26 de dezembro, inda são ecos de uma ceia natalina degustada em casa, com a minha dona, minhas filhas, neta, genro e amigos.

Não vou falar das oferendas, ritual natalino, mas sou obrigado a falar de duas, entre muitas, uma de cada filha. Rachel, a primogênita, deu-me Nova Reunião, 3 volumes de 23 livros de poesia de Carlos Drummond de Andrade, lançamento neste fim de ano do selo BestBolso, da Record. Com esse presente Racca fechou um ciclo iniciado em 1945, quando minha irmã Célia emprestou-me A Rosa do Povo. Nunca mais parei de ler aquele que anos depois desvendou-me o Claro Enigma. Conheço a poesia Drummondiana quase completa. Nos próximos dias esse “quase” já era.

Há décadas comecei, nos fins de ano, a fazer colagens como terapia de muito trabalho e em 1998, com Fragmentos, entrei num concurso de artes plásticas, 4 colagens com cerca de 40x60cm cada. O júri, só de artistas do ramo, deu-me o segundo prêmio.

Tenho feito colagens tendo a família como tema e, agora, a caçula, Carla, me aparece com uma caixa no formato de livro, com colagens na frente e no verso onde está parte expressiva de minha vida.

Tem talento a safadinha! E ainda me deu um senhor aperto no coração quando li no cartão que veio junto com o “livro”: “O formato é simbólico, já que devo a você o meu amor pela literatura”.

O Natal não é uma data piegas? Que sua digestão também seja…

Ganhei, também, a revelação que mesmo não sendo um Andrada (Zé Bonifácio), sou um Patriarca.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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