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Fantasias sexuais

O tempo é um cruel desfigurante de coisas, pessoas e instituições, assim, também os casamentos sofrem de exaustão. Mas nem todos, nem todos. Há …

O tempo é um cruel desfigurante de coisas, pessoas e instituições, assim, também os casamentos sofrem de exaustão. Mas nem todos, nem todos. Há casais que lutam para manter a velha chama acesa e, no arsenal disponível, não é incomum lançarem mão das fantasias sexuais, considerando-se que o cérebro humano é o maior órgão sexual que existe. Vejamos o caso de Dagoberto e a Aninha, por exemplo, um casal próximo da meia idade. É sábado de noite e as crianças foram para a balada e, após consumirem uma garrafa de vinho, a conversa rola solta.

– Sei lá, a gente podia tentar – a Aninha mostra-se mais desinibida.

– Tá legal, tive uma ideia. – o Dagoberto tenta organizar seus pensamentos.

– Conta, conta, pera aí, vou buscar outra garrafa de vinho.

Assim que ela volta já vem falando do corredor:

– Eeeba, conta, já estou ficando excitada.

– A gente faz assim, contratamos uma garota de programa.

– Isso não é fantasia, Dagoberto, isso é sacanagem. Fantasia é faz de conta, entende, não é sacanagem, espertinho.

– Tá bom, tá bom, me dá um exemplo, então.

– Tá… A gente tá transando e eu grito: “Te esconde, o meu marido chegou, aí você corre e se esconde no roupeiro…”.

– Hiii..primeiro faz de conta, agora brincar de esconder, tô brochando.

– Seu burro, você não entendeu nada.

– Entendi sim, eu sou o corno.

– Mas como, é o corno? Seu bobo, se você estava transando comigo?

– É verdade, mas também cheguei e nos peguei na cama, então eu me chifrei com você, logo, eu sou o corno.

– Hiiii… homens não conseguem imaginar nada, são literais, infantis.

– Tá legal, deixa que eu dou a ideia agora: eu me visto de mulher.

– Como é que éééé? Dagoberto… Não acredito, e aíííii? Eu me visto de homem?

– Não, você fica ainda mais feminina, mais charmosa…

– Agora quem não entendeu fui eu, e qual é o seu papel?

– Ué, de lésbica.

– Tá Dagoberto, pra mim chega, vamos dormir.

– Pô, e o nosso joguinho…

– Tô com dor de cabeça.

 

Autor

Paulo Tiaraju

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