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Arrogância

Não paira sombra de dúvida que o arrogante, seja um general ou um time de futebol, superestima suas forças e tem um sereno desprezo …

Não paira sombra de dúvida que o arrogante, seja um general ou um time de futebol, superestima suas forças e tem um sereno desprezo pelas circunstâncias e seu envolvidos.É difícil saber em que medida a arrogância é um traço de personalidade ou uma patologia, sendo mais provável que a enfermidade mental molde o caráter. A pista mais sugestiva é a de que o arrogante não tem medo de nada, justamente por ter medo de tudo.

O time da Argentina, por exemplo, entrou em campo embriagado de arrogância, com o objetivo explícito de pulverizar a Seleção Brasileira. Entraram para perseguir o gol e infringir uma derrota humilhante. Não havia um plano de para vencer o jogo, porque o arrogante não avalia nada, não mede seus atos e age segundo a voz da sua vaidade. E como sabemos, a vaidade é cega, assim como o são o ódio e as paixões. Resultado: 3 a 1 para o Brasil, que jogou somente para ganhar o jogo.

Chamam a atenção as atitudes emocionais de Yeda sempre que a governadora se defronta com movimentos adversos à sua vontade. Não saberia dizer de modo explícito, como diria Caetano, mas, no caso da governadora, é muito eu e baixa institucionalidade, como num auto-culto ao personalismo. Nenhum governo deveria ser inimigo de qualquer segmento da sociedade, seja ele o Cpergs ou o Sindicato dos Carimbadores Malucos, pois governar é administrar os contrários também, é contemplar o coletivo e conciliar divergências. Por que a governadora chora? A minha suposição é porque sente-se injustiçada, óbvio.Gostaria de ser mais reconhecida e admirada, e não temida. Mas a pergunta que está rouca é: por que tantos desejam desestabilizar seu governo? Sim, são oposição, diria.

Mas não lembro, em um passado recente, de um governo tão devotado em semear inimigos. Conclusão: ou Yeda é uma economista competente e não é um ser político, ou Yeda governa como se estivesse em casa, dando órdens aos empregados.

Talvez haja um terceiro viés, uma hipótese C. A minha cisma surgiu naquela foto publicada no site do palácio em que a governadora tem os olhos banhados de lágrimas. Está magoada. Não entende por que a façanha do déficit zero não lhe deu poderes para pairar acima do bem e do mal, com ou sem arrogância. Em gestão pública impacto de resultados também vira “notícia velha”, e, na política, discurso racionalista prega no deserto. As lágrimas de Yeda, quem sabe, podem operar o milagre que ela tanto deseja: ser amada pela população. A política tem muitas caixas, uma delas é a caixinha de surpresas.

 

Autor

Paulo Tiaraju

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