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Pois é

‘Uma vida não é nada. Com coragem, pode ser muito.’                          Carlito

"O goleiro deve andar sempre com a bola, mesmo quando vai dormir. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas". 

Neném Prancha

Minha última crônica aqui – Respingos da memória – além do fingido ciúme (puro charme) da minha mulher, pelo excesso de recordações femininas (inda bem, né?), teve um respingo que de fato saiu mal na foto. Escrevi “Senti saudades do meu amigo João Saldanha que deixou escrito, se macumba ganhasse jogo, campeonato de futebol baiano acabava empatado”.

O jovem amigo Guto Graça, publicitário, poeta e cronista perguntou-me se a frase não seria do Neném Prancha. Resposta:

‘Guto, grato pelo sempre valioso estímulo, inda mais valorizado pela origem. Quando fui escrever a frase sobre a macumba, minha dúvida balançou entre o Neném e o Saldanha. Você tem razão, é do Neném, mas a conheci através do Saldanha. Será retificado. Grato, again.

Abração. Mario’

Já que citei o Neném Prancha, informação aos jovens e não cariocas de qualquer idade: Antonio Franco de Oliveira (1906 – 1976), um mito do futebol do Rio, foi jogador e técnico de futebol de praia onde ganhou fama, além de torcedor e depois funcionário do Botafogo, inclusive como técnico de suas divisões de base. As frases de Neném, sempre pitorescas, correram o Brasil e até deu livro. Pela imprensa o jornalista João Saldanha não perdia oportunidade de citar suas frases:

Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida;

Penalti é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube.

Poderia, hoje, até ser professor do Lula: "O importante é o principal, o resto é secundário."

Já que entrei num papo sobre leitores, há três semanas, quando da minha crônica Chuvas, não percebi que ao pé da mesma, a querida teleamiga e colega Márcia Martins havia colocado um comentário: “Lembranças das chuvas – Mario, querido, que linda esta frase ‘a chuva estava lavando parte do seu passado’. Fiquei emocionada, pq, às vezes, penso que as lágrimas são as chuvas das pessoas. bjs".

Pois é, de novo chove há dias e muito aqui no Rio.

Como não sou nordestino da zona das secas, não tenho que rezar implorando água. Na primeira Constituição republicana brasileira – assim como a capital no centro geográfico brasileiro – já estava lá, como projeto, a transposição do Rio São Francisco também. Pois é, como brasileiro cicatrizado prefiro o jogo de bicho onde o “vale o escrito” vale.

Não deveria ter medo das chuvas, como os coitados catarinenses de Blumenau que, conforme trabalho que há tempos recebi do arquiteto Flavio Farah, culpa o filósofo Blumenau, fundador da cidade, por não ouvir um companheiro da colonização que afirmava ser o local sujeito a enchentes.

No Rio, grandes inundações que param a cidade, como em 1966, ou a de 1967 que inclusive derrubou prédios e matou gente não têm nada a ver com o habitat e tudo a ver com administradores ineptos e irresponsáveis. Cidade civilizada não se entope apenas com águas pluviais.

Lembrei-me que no verão de 1964, Canoas, município gaúcho, inundou de tal forma que este repórter, literalmente conduzido por uma canoa, participou da cobertura jornalística daquela catástrofe urbana.

Mas isso são águas passadas.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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