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Os pontos de A a Z

O primeiro passo para um orgasmo de ponto G é ficar excitada. Durante a excitação, o tecido esponjoso fica intumescido com fluido e o …

O primeiro passo para um orgasmo de ponto G é ficar excitada. Durante a excitação, o tecido esponjoso fica intumescido com fluido e o ponto G aumenta de volume de forma perceptível. 

www.jardimdeva.com

Eu estava escrevendo sobre Carmen da Silva, jornalista que mudou a cabeça da mulher brasileira na segunda metade do século passado quando recebi, pela Internet, uma crônica de Martha Medeiros, Ponto G.

Baixou naquela forma que odeio tanto que nem guardo o nome, toda esquartejada em slides, um horror que parece que a cronista também detesta.

Como sempre me interessei por sexo e pelo ponto G, procurei o texto em forma decente no Google. Achei.

Citando Isabel Allende, também objeto de minha admiração, Martha refere-se a uma entrevista da escritora chilena para a Playboy e considera esta frase um achado:

“As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor.
O ponto G está nos ouvidos. Inútil procurá-lo em outro lugar”.
Inda que se possa entender a declaração como um absurdo efeito retórico, não dá para deixar passar em branco uma declaração como essa, que foi ainda mais reafirmada pela colunista:

“Ah, o ponto G, esse paraíso secreto que leva os homens a explorações minuciosas. Tanto trabalho por nada. Não temos um ponto G, mas dois, um em cada lateral da cabeça, e não é preciso tirar nossa roupa para nos deixar em êxtase.
Falem
, rapazes. Digam tudo o que sentem por nós, assim, assim… isso”.
Concordo com a autora de A Casa dos Espíritos: “O melhor afrodisíaco é a declaração de amor”.

Que palavras de amor sejam afrodisíacas, cada mulher tem o seu tesão, mas achar que elas sejam mais afrodisíacas que o ponto G é ignorância.

O Ponto G só acontece (intumesce) com a mulher já excitada e a caminho do orgasmo e, no caso, ela pode até ter algo como ejaculação.

Mulher que atinge o êxtase seduzida apenas pelas palavras deve ser estudada como caso raro de ejaculação precoce.

Ponto G não é afrodisíaco, é conseqüência dele! 

Se eu fosse fazer uma metáfora sobre tesão, diria que o meu maior afrodisíaco é a mulher (mesmo deficiente vocal).

Vamos com calma, pois se é para falar de amor, de sexo, de cama, um dos excelentes afrodisíacos é mesmo a calma, o timing certo para o prefácio, para o texto e para chegar muito bem ao fim e ao posfácio. Quanto maior o tempo, melhor, inclusive, o direito à releitura.

Não imaginei que Isabel, com 66 anos, já estivesse aposentada dos melhores folguedos ou, pior, tenha se esquecido. E a colunista, então muito mais jovem, não está demonstrando um desinteresse prematuro?

Temi que essa apoteose ao oral não-sexual diminuísse a aplicação de machos não muito fanáticos negociando a permuta de uma rígida ereção pela oferta de um charmoso “eu te amo”.

As fêmeas têm que cobrar na cama o que o comportamento masculino possa sugerir, mas não realizar.  As feministas mais evoluídas desde há muito incluíram o prazer carnal em seus direitos adquiridos.

Totalmente a favor de oferecer às mulheres – por gestos e palavras – tudo o que elas merecem, eu sempre achei que os casais têm obrigação de procurar o prazer máximo, realizar sonhos e fantasias, tudo que pertença ao universo de ambos e que conduza ao orgasmo máximo, inda que ninguém possa afirmar que atingiu o seu orgasmo máximo.  A tentativa de chegar lá só pode ser através do diálogo dos amantes, gestual e/ou verbal, mas lá, no espaço e no momento do finalmente.

Por mais que seja quase infinito o estoque de palavras e gestos amorosos, ele não é o fim, é um dos meios.

Atenção, leitora, não se deixe enganar pelos ouvidos, o ponto G ou ponto de Gräfenberg não tem nada de “secreto”, como afirma a cronista: é uma pequena área na mulher atrás do osso púbico. O encontro do Ponto G não tem nada de auditivo, valoriza o ato sexual e leva a um êxtase que não tem nada de literário.

De minha parte, também adoro receber palavras e gestos de amor.

Mas tem que provar!

Casais do mundo, univo-vos!

Les jours de gloire sont arrivés.

Delírio
Olavo Bilac

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci….

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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