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Cabem num coração, também, cem mil amigos

Há numa vida humana cem mil vidas,Cabem num coração cem mil pecados Bilac Amizade é dádiva, já escrevi. Dádiva tão generosa que Sérgio Porto, …

Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados

Bilac

Amizade é dádiva, já escrevi. Dádiva tão generosa que Sérgio Porto, o Stanislaw, confessou que morria um pouco cada vez que morria um amigo.

Coletiva, a toda hora, obriga-me a comemorar o reencontro de tantas amizades perdidas no tempo e no espaço.

Através de Coletiva, fui descoberto por José Antonio Moraes de Oliveira que, em 1957, na minha primeira ida a Porto Alegre, assim como todo o pessoal do Teatro Universitário, fundiu-se em grande amizade. Esse reencontro tem propiciado aos leitores de Coletiva saborosas crônicas desse publicitário que, aposentado, danou-se a escrever coisas da memória e da invenção. A qualidade desses escritos obrigou-me a apresentá-lo ao nosso editor, Vieira da Cunha, que democratizou a divulgação e evitou o desperdício.

José Antônio, o Killer dos velhos tempos, levou-me a Valdi Ercolani, em São Paulo, outro publicitário que, no Rio, ainda nos anos 60 do século passado, foi meu colega de trabalho. Carlos Pedrosa, outro do ramo, um dos fundadores do Clube de Criação carioca e um de seus presidentes, meu antigo companheiro de Globo, catou-me, também, aqui, onde Luiz Orquestra, produtor de jingles, surgiu em São Paulo, das brumas do passado.

Além dos reencontros e de um punhado de novas amizades, Coletiva me deixa conectado com montão de gente do Brasil e do exterior, promovendo uma permanente troca de beijos e de abraços e mais abraços. Quando, então, escrevo sobre amigos comuns, os e-mails pipocam. E isso aconteceu na semana passada, pois meu foco afetivo iluminou João Carlos Magaldi, que, ao morrer, matou-me muito.

O poeta, homem de TV e há muito consagrado autor de telenovelas Manoel Carlos, em 1964 apresentou-me o já então famoso publicitário Magaldi, sócio do Carlito na Magaldi, Maia. Maneco mandou-me um e-mail: “Beleza de crônica, Mário, parabéns. Beijos e abraços. MC”.

Outro poeta e publicitário, inda bastante jovem, Guto Graça  mandou: “Um registro histórico. Uma delícia. Uma reverência para quem merece ser referência. Superabraço, GG”.

José Monserrat Filho, também fundador do Clube de Criação do Rio e seu primeiro presidente, há anos voltou para o Jornalismo, sua profissão primeira. Mont trabalhou com Magaldi e comigo na Standard Propaganda, jogava vôlei na nossa rede de praia, numa mistura de publicitários, jornalistas e artistas e jamais esqueceu a pessoa do Barba: “Bom demais, Mário. Abração, Mont”.

José Carlos Pellegrino, engenheiro paulista, estudava, assim como eu, há 60 anos, na Caetano de Campos, na Paulicéia: “Prezado colega e amigo Mario, muito boa essa sua crônica sobre calabreses. Mormente porque também sou um deles, descendente de avô de Cosenza e de avó de Catanzaro, ambos da mais fina região da Calábria. Meu nono morreu quando eu era muito pequeno. Mas minha avó costumava dizer orgulhosa, ainda no seu dialeto calabrês: tutti cappi tosta mai tutti buona gente. (Desculpe os eventuais erros de grafia e do dialeto.) Abraços”.

Tião, publicitário, quando eu estava na Fundação Roberto Marinho, alavancava na Globo de São Paulo recursos para os nossos projetos. Tião, há meses, descobriu-me em Coletiva e mandou, agora, seu comentário aqui mesmo: “Amigo Mário, só quem conheceu o Magaldi sabe a perda que foi ele ter passado pro lado de lá. Sempre digo aos mais novos que a minha grande sorte foi a de sempre estar ao lado de pessoas de coração e opinião. Um abraço. Sebastião Roque – São Paulo/SP/Brasil

Gustavo Borja Lopes, filho do Borjalo, já nasceu na TV, onde é profissional de destaque e pertenceu à minha equipe na Fundação Roberto Marinho: “Mario, quantas saudades! Se voltares ao tema (Magaldi) na coluna, relembres aquele causo da “dobradinha à moda da casa” (GP Brasil de F-1, 1975, Pace em primeiro, Fittipaldi em segundo). Abração, Gustavo.”

Eu conto: antes de ir para a Globo, implantar a Agência da Casa, eu recebia da Rede um fixo mensal para criar os anúncios, depois finalizados na DPZ. Solicitado para fazer um anúncio para a corrida de Fórmula 1, fiz dois, um convencional e o outro, que seria a foto de um prato de dobradinha, com o título: “Sugestão para domingo: dobradinha à moda da casa”. Magaldi argumentou, com razão, que não pegava bem a emissora fazer um anúncio de torcida. Publicamos o anúncio convencional e tive, face ao resultado, um domingo de profeta.

Quem leu, em Coletiva, os comentários da crônica sobre o Magaldi, leu este: “Uma boa lembrança também é uma homenagem. Mário, você nos brinda contando passagens saborosas de sua vivência com papai e com Carlito. Tão bom saber que papai foi um amigo tão especial e lembrado com tanta emoção. Um grande e carinhoso beijo!. Monica Magaldi Suguihura – Bebedouro/SP/Brasil.”

Num e-mail pessoal, Mônica escreveu: “Nossa querida Lia Moreira enviou “O amigo calabrês” inda agorinha… Foi uma alegria, uma saudade, uma dor, uma tristeza, tanta coisa junta. Mas o saldo final é muito bom. Bom poder escrever pra você, bom saber que papai mora no coração dos amigos, bom ver a fotografia dele, bom saber das histórias. Moro no interior de SP…”

Pois é,  Mônica, que eu não via há mais de décadas, nesse e-mail preencheu os vácuos dos nossos tempos, em todos os sentidos, tão distantes. Recebi notícias da mãe, dos irmãos, marido, filhos e netos. Para quem considera amizade uma dádiva, minha presença aqui em Coletiva me enriquece, mesmo quando escrevo sobre perdas que me empobreceram.

Aqui conto minhas histórias. Quem quiser que conte as suas.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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