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E la nave va

Recebi alguns e-mails de leitores gratos pela revelação do personagem flagrado por Danuza Leão, de cuecas, tomando cerveja, na varanda de sua casa, coincidir …

Recebi alguns e-mails de leitores gratos pela revelação do personagem flagrado por Danuza Leão, de cuecas, tomando cerveja, na varanda de sua casa, coincidir com o currículo do então futuro governador do Rio, Marcelo Alencar. Quanto à amiga, de calcinhas e sutiã, também tomando cerveja, fica no anonimato que o título da autobiografia justifica: “Quase tudo”.

Um amigo, pela Internet, chamou minha atenção quanto ao personagem que deu a já famosa bengalada no Zé Dirceu, ex-ministro e deputado federal cassado que trabalha agora, com o escritor Fernando Moraes, num livro biográfico que, tenho certeza, também poderia ter o mesmo título: “Quase Tudo”.

A imprensa nacional divulgou que o responsável pela bengalada é o cidadão paranaense, Yves Hublet. Não li, em lugar algum, que o cidadão é ator, com atuações no cinema brasileiro, inclusive nos filmes “O Paraíso das Solteironas”, com Mazzaropi e “Independência ou Morte”, com Tarcísio Meira. Agora a coincidência: há anos que o Yves trabalha como Papai Noel, no Shopping Muller, de Curitiba, ao lado do escritório do senador Álvaro Dias. Os fofoqueiros estão jurando que o homem da bengalada foi contratado pela assessoria do senador e encenou a farsa do cidadão ultrajado. Eu, heim?

Antes que o leitor pense que se enganou de leitura e está de cara com a revista Caras, deixemos de lado a condição de voyeur. Aliás, a revista Caras usa uma fórmula editoriaL interessante: dá ao leitor a impressão que está vendo personalidades pelo buraco da fechadura quando as próprias personalidades escancaram as portas para serem vistas. Confesso que sempre preferi a postura super reservada de Greta Garbo.

Antigamente, eu achava que 90% do meu tempo jogado no lixo era o tempo do transporte. Hoje, dividem o mesmo lixo transporte e salas de espera de médicos e periféricos. Horário de consulta ou exame deixou de ser horário para ser referência. E, nas salas de espera, ao ter que encarar Caras, tenho certeza que fico com cara de bunda.

A nostalgia brasileira pela realeza não é apenas enredo das escolas de samba: Caras tem um castelo e o Ronaldo Fenônemo casou-se em outro, não me lembro se com aquele corte ridículo do personagem Cascão. Enquanto uns acham tudo isso muito nobre, eu acho de uma breguice deslumbrada. Dos muitos castelos que visitei, um é exemplar, em Edimburgo, Escócia, onde todos os ambientes são mobiliados, têm manequins com os trajes, os instrumentos e utensílios utilizados na época de Mary Stuart. Quando acaba a visita, você teve uma aula de museologia, daí, você entra num pub, pede uma dose de uísque nacional, sabendo que está um pouquinho menos inculto.

Senhoras e senhores:

Estou tão velho que Natal virou rotina e considero pretensioso o Ano Novo achar que ainda pode oferecer algo de novo para o meu espírito. Fora da rotina mesmo é o peru assado e muitas horas junto às pessoas a quem amo. Nessa confraternização, ainda que sutil, quase sempre há uma revelação e essa dádiva me basta.

2006. E la nave va. Boa viagem.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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