Moro, há 25 anos, no Condomínio Novo Leblon, Barra da Tijuca, Rio, 600 mil metros quadrados, 200 casas, 1.120 apartamentos, cerca de 6.000 moradores.
Há 20 anos criei um Informativo semanal que já passou do número 1.100, fiz uma Horta Comunitária e o projeto de uma fazendinha que, além da horta, tem vacas, cavalos, cabritos, aves e outros bichinhos. Na época, entrevistado pela Globo sobre o objetivo, sintetizei:
– É para a criançada saber que o ovo não nasce na geladeira.
Além da criação do Informativo, editei as revistas de luxo comemorativas dos aniversários: Novo Leblon Ano, Ano 20 e Ano 25.
Mês passado, por pura curtição, resolvi fazer um mini jornal – Semana. No expediente está “Semana é uma curtição curta, leve e, às vezes leviana”. Lá está meu nome como Diretor Irresponsável.
Estou indo para Porto Alegre e, na correria de trabalhos diferentes, resolvi plagiar a mim mesmo. Vai aí a primeira página de Semana 5, inspirada na Semana da Pátria.
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Irmão, quando você ouve aquela parte do hino “gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso…”, você olha prá baixo, com orgulho, acha que é com você mesmo ou apenas murcha de inveja? O “brado retumbante” – Independência ou Morte – seria historicamente correto se fosse “Independência de Portugal ou Morte”. O BID que o diga. O “Ordem e Progresso” da bandeira foi sugestão de Benjamin Constant, inspirado na máxima positivista: “o amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”. Deixaram o amor de lado e deu no que deu. Nossa bandeira foi aprovada por decreto, logo após a proclamação da República, em 19 de novembro de 1889. Esse passou a ser o Dia da Bandeira, bandeira que tem uma curiosidade: a esfera representa o céu do Rio de Janeiro, com a constelação do Cruzeiro do Sul, às 8h30min de 15.11.1889, dia da proclamação da República. E as estrelas são as que brilhavam na madrugada daquele dia: Espiga, Procium, Sirius e outras, como Teta. Foi nessa teta que malandrinhos resolveram mamar até que a gente desperte o país “deitado eternamente”, mesmo porque, há muito, que esse negócio de”berço esplêndido” já era. Voltando à bandeira, são belos esses versos de Castro Alves, em “Navio Negreiro”:
Auriverde pendão de minha terra,
que a brisa do Brasil beija e balança…
Sou tão antigo que estudei Canto Orfeônico. Tão desafinado que não engatilho duas notas musicais. Nos exames, em vez de cantar, sorteavam um hino para eu dizer a letra. Sabia todos. Mas linda mesmo é a Canção do Expedicionário, letra do conterrâneo, o poeta campineiro Guilherme de Almeida, e música de Spartaco Rossi, eleita em concurso depois que Vargas resolveu aderir à luta contra o eixo nazi-fascista. O estribilho é dos últimos versos da “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias:
Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra
sem que volte para lá
Toda a letra é um manancial de referências de coisas nossas:
Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do Engenho,
das selvas, dos cafezais,
da boa terra do coco,
da choupana onde um é pouco,
dois é bom, três é demais,
venho das praias sedosas,
das montanhas alterosas,
dos pampas, do seringal,
das margens crespas dos rios,
dos verdes mares bravios
da minha terra natal.
Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra
sem que volte para lá;
sem que leve por divisa
esse “v” que simboliza
a vitória que virá:
nossa vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil.
Eu venho da minha terra,
da casa branca da serra
e do luar do meu sertão;
venho da minha Maria
cujo nome principia
na palma da minha mão,
braços mornos de Moema,
lábios de mel de Iracema
estendidos para mim.
Ó minha terra querida
da Senhora Aparecida
e Senhor do Bonfim!
Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra
sem que volte para lá;
sem que leve por divisa
esse “v” que simboliza
a vitória que virá:
nossa vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil.
Inté
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Institucional – A Internet falhou e o que deveria sair antes, sai depois:
Terça-feira, 21, às 18h, Milton Mattos, Paulo César Peréio, Paulo José, eu e mais sete companheiras/os estivemos na Câmara Municipal de Porto Alegre, auditório Glênio Peres, para receber o Prêmio de Teatro Qorpo Santo, concedido por aquela Casa ao Teatro de Equipe, do qual fomos os fundadores. A presidente da Câmara, Margarete Moraes, fez uma bela saudação e revimos um monte de gente querida.
Valeu.
* Mario de Almeida é jornalista, publicitário, dramaturgo, autor de “Antonio’s, caleidoscópio de um bar” (Ed. Record), “História do Comércio do Brasil – Iluminando a memória” (Confederação Nacional do Comércio) e co-autor, com Rafael Guimaraens, de “Trem de Volta – Teatro de Equipe” (Libretos).

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