Há anos, fui a São Paulo para ser entrevistado no “Jô 11:30”, ainda no SBT.
Hospedei-me no Hilton e, dia seguinte da gravação, acordei muito cedo. Fui apanhar um jornal e na volta passei no Coffee, onde tomei um suco de laranja, um expresso e assinei a nota.
Lá pelas 9 horas voltei ao Coffee para tomar o café da manhã completo e me pediram o número do apartamento. Dei e, minutos depois, o garçon voltou para ver se eu não havia me enganado. Mostrei a chave, confirmando. Daí voltaram, garçon e maitre e, de repente, o garçon se iluminou:
– Por acaso o senhor, logo cedo, não tomou um suco de laranja e um expresso?
– Eu não, mas o meu clone sim.
Como o suco de laranja e o expresso estavam incluídos no café da manhã, eles rasgaram a nota da despesa anterior.
Nos círculos mais chegados ao ex-ministro da Indústria e Comércio, jornalista, publicitário, empresário, poeta e amigão Mauro Salles, sempre se comentou que o próprio tem um clone que vai a noites de autógrafos, vernissages e outros eventos. Isso pelo fato de se abrir um jornal de São Paulo e outro do Rio e ler-se que Mauro, por exemplo, esteve num coquetel em São Paulo às 19 horas e, na mesma noite, no lançamento de um livro no Rio. Certa vez, brincando, disse para ele não pagar o cachê do clone.
– Mario – interrompeu ele – se você está querendo se referir ao lançamento do livro do Antonio Torres, deixei para ir em São Paulo.
Agora vou contar sobre a noite que não vi o Mauro.
Na terça, 13 de julho, às 23 horas, o Canal Brasil exibiu o primeiro programa do talk show de Paulo César Peréio: Sem Frescura.
A escolha para a entrevista da estréia não poderia ter sido melhor: Cissa Guimarães, a inquieta, borbulhante e brilhante ex do Peréio, parceira na geração dos atores Tomás e João, que também aparecem no programa.
Aliás, o programa é uma graça de nepotismo, pois além da ex – Cissa -, o roteiro e argumento é de uma ex anterior, a jornalista Neila Tavares, parceira do Peréio na primogênita de ambos, Lara Velho (homenagem à Lara de Lemos) que, por sua vez, é responsável pela direção e produção executiva.
A excelente abertura de Allan Sieber já prepara o telespectador para um clima de papo informal e divertido. Foram 30 minutos de puro relaxamento intelectual e, de repente, tive a impressão que eu também estava lá, de bermudas, sentado na telinha, tamanha a naturalidade com que fluiu esse primeiro programa. Já sei, agora, que às terças-feiras, no mesmo horário, estarei vendo direto, ou gravando, 30 minutos de boa companhia.
A Rua Alice, no Rio, que começa nas Laranjeiras, tem seu nome perpetuamente ligado aos tempos dos puteiros famosos, como a Eni, de Bauru e a Mônica, de Portinho. Só que naquela rua havia bem mais que um. Hoje, seu trecho inicial foi ocupado por alguns restaurantes e, num deles, casarão antigo de três pisos, Peréio e equipe reuniram amigos para um coquetel e platéia coletiva do primeiro Sem Frescura. E como (!) havia amigos de diversas tribos, a partir dos 15 anos e onde o mais velho não era eu!
Bombou total. E nem vi o Mauro, que estava lá!
Com pisos e escadas cheios de gente, só os porteiros sabem, de fato, quem transitou por lá. Sentei-me na mesa com Cissa, Peréio e o cineasta Neville de Almeida (A Dama do Lotação, etc.). No time do cinema, deu para vislumbrar o Zelito Viana e o repórter do setor no Jornal do Brasil, o talento jovem de Rodrigo Ferreira, fã confesso do Peréio como ator e como gente. Deu também para apertar a mão de Maurice Capovilla, a quem não via há 25 anos. Eu comandei, na Rede Globo, o lançamento do Telecurso da Fundação Roberto Marinho, cuja campanha foi criada pelo companheiro Carlos Pedrosa, que eu levara para a Agência da Casa, a house global que implantei e dirigi. Foram seis filmes de 60 segundos entregues à direção do Maurice e que, na ocasião, resultaram em grande impacto e interesse no programa apoiado por fascículos vendidos nas bancas. Deu um Top de Marketing para a Fundação.
Cissa e eu que, no final dos anos 70, trabalhávamos no mesmo andar da “Vênus Platinada”, chegamos à conclusão que, por uma dessas perversidades da vida, a gente não se via há uns 20 anos.
No talk show, Peréio, fazendo alusão a um comentário bobo sobre ele no Saia Justa, sacou: “aquele programa de merda”. Como eu estava sentado ao lado dele, sapequei-lhe um beijo na bochecha.
Reação justa, pois não?
Inté.
* Mario de Almeida é jornalista, publicitário, dramaturgo, autor de “Antonio’s, caleidoscópio de um bar” (Ed. Record), “História do Comércio do Brasil – Iluminando a memória” (Confederação Nacional do Comércio) e co-autor, com Rafael Guimaraens, de “Trem de Volta – Teatro de Equipe” (Libretos).

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