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Desabafo

Por Ângela Araújo Santos* Um assalto, um susto. Num milésimo de segundo, a vida fica à mercê de um demente. Um movimento precipitado pode …

Por Ângela Araújo Santos*

Um assalto, um susto. Num milésimo de segundo, a vida fica à mercê de um demente. Um movimento precipitado pode representar o fim do plano existencial almejado. São dias de loucura. Tresloucadas realidades que ultrapassam o roubo de bens, pois confirmam cotidianamente a desvalia do homem, do cidadão.

Até posso dizer que pago um imposto altíssimo, portanto teria direito a segurança e ao que mais seja… Mas dizer pra quem? Para os governantes de hoje ou para os de ontem? A situação não invalida a questão da culpa. Num primeiro momento, cheguei a pensar que fosse minha, pois estacionar à noite para deixar um filho na casa de alguém e as pessoas não abrirem imediatamente a porta é um grande risco.

Mas afirmo que, definitivamente, não sou responsável pela biografia do assaltante. Nem mesmo pelos fatos – como ausência de amor, educação, cultura… – que podem induzir ao crime. O livre-arbítrio é dado a todos. Injustamente, alguns nascem com muitos facilitadores para agir correta e sociavelmente, e em circunstância contrária encontram-se outros que enfrentam graves entraves para desfrutar das opções civilizadas. Existem delinqüentes em ambos os grupos – talvez até em igual proporção… No momento, não tenho a intenção de me distender sobre ações ilegais – ética e juridicamente falando – da turma do colarinho branco, nem mesmo se são mais brandas ou não.

Seria óbvio demais apenas concluir que o tráfico, as drogas, a violência social e moral, a falta de limites são o resultado da miséria, do desamor, da ausência – e até mesmo da proibição – de planejamento familiar, de compromisso, de auto-estima. A verdade é que estamos em uma Gotham City e precisamos urgentemente de um exército de Batmans (leia-se leis, aplicadores destas, castigo, punição real). A velha moral e os bons costumes parece que estão fazendo falta.

Lembro que, anos atrás, quando ouvia falar da devassidão que assolava o Paraguai – roubos de carros brasileiros, autoridades corruptas, falsificações, propinas –, ficava pensando na vergonha da gente que lá morava, pois todos, mesmo aqueles que discordassem do esquema desmoralizador, tinham que conviver com a sina de serem oriundos de uma terra sem lei.

Hoje estou me sentindo como uma paraguaia. Legítima.

* Ângela Araújo Santos é publicitária e sócia-diretora da MaxiMmarket.

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