A relação entre a criatividade e o avanço da inteligência artificial (IA) pautou os debates da imersão promovida pela Ultec School nesta quarta-feira, 15. Realizado no campus Canoas da Ulbra, o evento reuniu estudantes e lideranças de agências gaúchas. O objetivo do encontro foi aproximar o corpo discente da realidade do mercado de trabalho por meio de duas palestras focadas no desenvolvimento profissional e nas transformações tecnológicas do setor.
A primeira atividade do dia trouxe ao campus Roberto Lopes, sócio e diretor de Criação da Escala, e Miltinho Talaveira, diretor de Comunicação e Relacionamento. Na oportunidade, os palestrantes apresentaram a trajetória da empresa, exibiram cases premiados e refletiram sobre as competências que permanecem indispensáveis para o publicitário em um ambiente cada vez mais tecnológico.
Para Beto, características comportamentais continuam sendo o principal diferencial para quem atua na área. “Tesão, persistência e coragem. Essas são as três skills fundamentais. Tesão pelo que se faz, persistência quando parece que não vai dar certo e coragem para se expor e colocar uma ideia na rua. Se a pessoa tiver isso, mesmo que não saiba usar ferramentas de edição ou plataformas de IA, vai encontrar um jeito de fazer sua ideia acontecer”, afirmou.
O diretor também ressaltou a importância da inquietação criativa. “Sempre é possível entregar algo além do esperado, mesmo quando o pedido do cliente parece simples. Quem escolhe a criação precisa gostar de criar e insistir para que esse olhar diferenciado apareça. Sempre existe uma possibilidade de surpreender”, completou.
Tendências de mercado e o papel da tecnologia
O segundo painel, sob o tema ‘A propaganda pós-propaganda’, reuniu o CEO da Neodigital, Alberto Meneghetti, o head de criação da Moove, Cado Bottega, e o diretor de criação da 3AG, William Mallet. O trio analisou campanhas premiadas no Festival de Cannes Lions 2026 e debateu os rumos da Comunicação Corporativa contemporânea.
De acordo com Meneghetti, as tendências globais apontam que a tecnologia deve ser encarada como meio, e não como fim. “Cannes não é apenas um festival de Propaganda. É um evento que aponta para onde caminha a Comunicação. Neste ano, ficaram cinco grandes lições: a IA virou commodity, a criatividade virou estratégia, experiências geram conexões, confiança gera valor e o futuro continua sendo humano”, pontuou.
William reforçou que o diferencial das marcas ainda depende da capacidade analítica e inventiva das pessoas. “A ideia não está na IA. Um prompt tende a entregar respostas semelhantes para qualquer pessoa. O diferencial aparece quando alguém desenvolve uma ideia e utiliza a inteligência artificial para potencializá-la, tornando-a relevante para o briefing, para o negócio e para o cliente. A tecnologia ajuda, mas a ideia continua sendo humana”, destacou.
Perspectiva e conexões acadêmicas
Para os acadêmicos da instituição, a oportunidade de dialogar diretamente com profissionais atuantes serviu como estímulo prático. A estudante Isadora Padão destacou o valor da troca de experiências proporcionada pela imersão. “Tivemos contato com profissionais que compartilharam suas trajetórias, seus trabalhos e os motivos que os levaram a escolher a comunicação. É muito importante conversar com pessoas que estão há tanto tempo no mercado. Isso nos ajuda a entender por que escolhemos esse caminho e o que queremos construir daqui para frente. Além disso, é uma excelente oportunidade para fazer networking”, declarou.
A visão foi compartilhada pela colega Bele Silveira, que enfatizou a importância de conhecer a rotina do mercado ainda durante a graduação. “Foi muito especial. Como alunos da Ultec, conseguimos conhecer os bastidores da publicidade e entender como uma campanha é construída, desde a criação até a pós-produção. O maior aprendizado é perceber como as coisas realmente acontecem no dia a dia e que inovar continua sendo o caminho”, finalizou.

