As enchentes de maio de 2024 foram marcadas por traumas — humanos e materiais —, mas também deixaram aprendizados de superação e resiliência comunitária. É com esse outro olhar que os pesquisadores da Universidade de Caxias do Sul (UCS) realizaram o documentário ‘Memórias que a água não levou: escolas-abrigo nas enchentes do RS (2024)’ que reúne memórias das experiências de educadores, estudantes, voluntários e famílias desabrigadas das regiões Metropolitana, Vale do Sinos e Serra Gaúcha.
O documentário será lançado nesta terça-feira, 14, às 18h, no Teatro Municipal de São Leopoldo, com apoio da Secretaria Municipal de Educação. A entrada franca é permitida mediante a confirmação prévia neste link. Além disso, no dia do lançamento, o filme poderá ser assistido por este link do YouTube.
A produção faz parte do projeto coordenado pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS José Edimar de Souza, resultante do trabalho ‘Histórias da Escola: Modos de recompor identidades em contextos de desastres climáticos’, vinculado ainda ao subprojeto orientado na pesquisa de pós-doutorado de Elisângela Cândido da Silva Dewes. Desenvolvido nos últimos dois anos, o documentário compreende investigação documental e entrevistas feitas por pesquisadores com famílias desabrigadas, que encontraram moradia temporária nas comunidades escolares, transformadas em escolas-abrigo.
A partir da narrativa dessas pessoas que ficaram, em média, quatro meses em instituições das redes municipal, estadual e privada (educação infantil), bem como tiveram o auxílio de redes de apoio criadas pela comunidade voluntária, foi possível realizar uma releitura sobre esses locais. Eles não se restringiram a espaços para o desenvolvimento cognitivo e intelectual, mas representaram o único território seguro e de pertencimento às vítimas das enchentes.
“Foi a oportunidade que se apresentou naquele período para as pessoas reorganizarem suas vidas, recuperarem a autoestima e resgatarem a capacidade resiliente de sobrevivência em meio ao caos”, ressaltou o docente, que contou com a parceria da pesquisadora Elisângela Cândido da Silva Dewes, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fabergs), responsável pelo roteiro e editoração do documentário.
De acordo com José Edimar, na construção do projeto já havia a intenção de produzir um audiovisual para registrar as histórias das chamadas escolas-abrigo e o convite para Elisângela foi estratégico, considerando sua experiência na área da Comunicação. “A produção contribuiu para fortalecer a memória coletiva e ampliar o debate sobre o papel das instituições de ensino diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, disse o professor, ao informar a inexistência de qualquer documentação anterior sobre a tragédia no contexto das escolas transformadas em espaços de acolhimento.
No documentário, as comunidades escolares compartilham suas vivências sob a perspectiva de seus agentes, revelando os desafios cotidianos, a formação das redes de solidariedade, processos de cuidados coletivos e a importância da educação como instrumento de reconstrução social em situações de calamidade. Os relatos foram obtidos por meio de depoimentos e até mediante cartas escritas por estudantes voluntários de municípios como Canoas, Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha e São Valentim do Sul, onde as entrevistas foram concentradas.

