Não à omissão

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

 

A "grenalização" que tomou conta do Brasil pode resultar em benefícios na compreensão sobre a realidade que permeia a política e suas relações. Ao longo da disputa eleitoral, flagrei inúmeros amigos postando mensagens políticas nas redes sociais. Fiquei feliz e perplexo. Afinal, muitos deles nunca pouparam comentários irônicos (e alguns furiosos!) por meu trabalho como assessor de inúmeros agentes políticos e órgãos públicos ao longo de 40 anos.

No domingo, uma velha conhecida confessou que consultou inúmeras vezes ao Google em busca do significado de termos como fascista, coxinha, petralha e outros. O exemplo resume minha opinião sobre a indignação que tomou conta do País no segundo turno da eleição à Presidência da República.

A disputa final resultou em um grande contingente de eleitores revoltado com a radicalização evocada pelos dois nomes na disputa. A este dizia que era resultado da omissão da ampla maioria dos brasileiros diante da política.

Neste aspecto, considero que a imprensa detém parte da culpa, a partir do que se convencionou a acreditar que "notícia ruim vende mais" ou que "as pessoas gostam de notícia ruim e tragédias". Na verdade, nós - jornalistas - acostumamos o público com manchetes negativas.

Longe de pregar a implantação de uma mídia, digamos, cor-de-rosa, veiculando majoritariamente conteúdos elogiosos. Assim como a oposição, a mídia deve fiscalizar, cobrar e denunciar ilegalidades, com cobrança dos responsáveis.

Existe matéria-prima em abundância para equilibrar fatos positivos e atitudes corretas de homens públicos com os absurdos que vemos todos os dias. Prefeituras, Câmara Municipais, deputados e senadores têm iniciativas digna de louvor, mas muitas vezes não se comunicam bem com a imprensa ou existe certa má vontade de divulgar "o que é obrigação de órgãos e homens públicos".

Nunca houve tanta atenção em relação aos novos ministros. Espero que isso perdure ao longo dos próximos quatro anos e que, no próximo pleito, estejamos atentos aos nomes para não enfartar no segundo tuno. A democracia é um bem de valor inestimável, mas não prescinde da vigilância permanente e, por que não, da nossa participação nas disputas eleitorais.

Gilberto Jasper é jornalista.

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