Case de Comunicação ou Karma com K

Por Juliana Müller, para Coletiva.net

Crédito: Reprodução

"Eu não assisto BBB".

Nem precisa, ele está entranhado na alma do brasileiro e, sinceramente, errado não tá. A gente tem mania de pré-julgar as pessoas e ser "formador de opinião" de tudo, a diferença é que lá tem câmeras por todos os lados e a gente acompanha de fora. Não só a gente, mas artistas de todos os segmentos se envolvem, defendem, criticam. Impossível fazer de conta que não existe, o engajamento é real e não é à toa que as marcas estão disputando esse espaço.

Mas, quero falar de outro ponto sobre isso, o da comunicação assertiva. Comecemos com a escolha dos participantes e a definição de pipoca e camarote: anônimos e (sub) celebridades em um mesmo espaço para discutir militância, diversidade, caráter e influência? Não tem como dar boa coisa. A comunicação assertiva pressupõe um item que não foi na mala deles: o bom senso.

Não sei se a Lumena me autoriza a ir além, mas o passo seguinte, a definição das pessoas e saber se comunicar ao ponto de ser interpretado da forma que gostaria... e que tarefa que tem sido difícil. Em um ambiente fechado, que não tem pra onde fugir, as pessoas conseguem gerar intrigas e ruídos mesmo podendo resolver isso em minutos com o próprio interlocutor. O motivo disso é a soberania da razão, da sua razão.

Aí vem a militância, exagerada e perdendo força entre suas próprias comunidades. Ora, Juliana, branca e privilegiada, não sabe do que fala. Pode ser, mas não me lembro de fazer pressão psicológica com ninguém pra impor uma verdade absoluta (aliás, ela existe?). Comunicação assertiva, por mais que a paciência possa ser curta, requer empatia.

Ainda falta falar sobre como nossas celebridades estão se comunicando e preservando sua imagem. Desculpem a ignorância, mas como gaúcha foi a primeira vez que ouvi falar de um tal Nego Di. Preferia não saber quem era. Um acúmulo de decepções virais em todo território nacional, desde gente perdendo contratos de trabalho até a queda no número de seguidores. Influência negativa? A gente vê por aqui.

Por fim, mas não menos importante, a crescente dos anônimos que o brasileiro se identifica. Um doutorando de economia, que representa não só uma legitimidade de causa, mas a luta do dia a dia. Uma nordestina que fala muito, mas fala o que pensa, o retrato do brasileiro padrão, opinativo, espontâneo e (por vezes) ingênuo.

Mas, para concluir, não seria esse um karma de uma realidade que vivemos todos os dias em nossos círculos? Que atire a primeira pedra quem não se identificou ou percebeu traços de um ente próximo nos representantes selecionados pelo Big Boss. Só espero que não seja mais semelhante que nenhum com K, porque pra tombar é fácil.

Juliana Müller, presidente da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP/RS).

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