Por Roberto Andrade Quem, como eu, já passou dos 40, sabe que Paulo Maluf é um velho e veterano delinqüente. Um dos mais profissionais da política brasileira. Ele perdeu um pouco deste prestígio porque com o tempo a concorrência foi se sofistificando. Nos dias de hoje, então, nem se fala. Mas houve uma época, durante os anos 70, que Maluf desfrutava, soberano, da fama de maior corrupto do Brasil.
Foi no início da sua carreira como meliante que Maluf começou a exercitar seu enorme talento para a malversação do dinheiro público. Em 1970, ficou famoso pela decisão de dar um Fusca de presente a cada um dos jogadores da seleção brasileira que haviam vencido a Copa do Mundo no México. E o fez.
Obviamente, era um ato discutível. Tanto que o então prefeito de São Paulo foi perseguido por uma ação popular que o acusava de ter lesado os cofres públicos com a generosa doação aos atletas campeões.
Esta ação rodou pelos palcos da Justiça brasileira, em todas as instâncias, por mais de 30 anos. Na última sessão do Supremo Tribunal Federal, ocorrida semana passada, o processo finalmente foi julgado sem novas possibilidades de recurso.
Paulo Maluf foi considerado inocente. Isso mesmo! Esse homem bom, puro, honesto, exemplo de político probo, após 36 anos, foi considerado inocente da doação de 25 fuscas comprados com o dinheiro público. Decisão do STF, sob argumento que a Câmara dos Vereadores de São Paulo, à época, aprovou a sacanagem.
Pois é, amigos. Este é o Brasil. Assim funcionam as coisas por aqui. Há muitas constatações e perguntas a serem feitas sobre esta decisão do STF. Mas não vou perder meu tempo nem tomar o seu. Conhecemos as respostas.
De fato, a culpa é de todos. Das pessoas que apoiaram Maluf durante tantos anos. Dos que não só aceitam como exigem a morosidade da justiça quando esta lhes favorece. De quem reclama há anos destes absurdos e não faz absolutamente nada para modificá-los. E quando a culpa é de todos, não é de ninguém.
Sem uma profunda auto-crítica comportamental, existencial, política, de caráter humanista, nós, brasileiros, não vamos conseguir levar adiante nenhum projeto decente de nação. Não tão rápido como gostaríamos. E vamos seguir deglutindo esta quadro lamentável em que se transformou a ambiciosa luta pelo poder e pelo dinheiro público. Em um País onde a Justiça demora 30 anos para considerar Maluf inocente, não há culpados. Só cúmplices.

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